Antes de Gavan Infinity: produtor explica a origem de Gavan nos anos 80

Antes de Gavan Infinity: produtor explica a origem de Gavan nos anos 80

No dia 15 de fevereiro de 2026, a TV Asahi iniciou a exibição de Chou Uchuu Keiji Gavan Infinity. O novo programa parte de Uchuu Keiji Gavan, série de 1982 que marcou época, e tenta criar um herói de ação tokusatsu como nunca existiu, combinando a base clássica com recursos de imagem mais recentes que deram base ao gênero Metal Hero.

O novo título preserva palavras e conceitos que identificam Gavan, como a polícia galáctica (apresentada como “Polícia Galáctica Federal”), o termo Jouchaku para o ato de vestir instantaneamente o traje de combate, e a arma Laser Blade. Ao mesmo tempo, há personagens de Gavan Infinity que não se conectam diretamente ao Gavan original, pois a obra constrói uma visão de mundo própria.

Para marcar a estreia, o site Mynavi entregou um recorte de depoimentos reunidos no livro Uchuu Keiji Series Koshiki Dokuhon METALLIC BIBLE (2012, Glide Media). O eixo do texto é a explicação de Susumu Yoshikawa, produtor da Toei na época, sobre por que e como Uchuu Keiji Gavan tomou forma. E a história começa por um ponto bem direto: o visual.

Antes de Gavan Infinity produtor explica a origem de Gavan nos anos 80
Uchuu Keiji Series Koshiki Dokuhon METALLIC BIBLE

Gavan: o ponto de partida foi o traje de combate

Segundo Yoshikawa, a concepção de Uchuu Keiji Gavan se iniciou pelo impacto do combat suit, descrito como um traje de combate reforçado, com aparência metálica. A escolha não aparece como detalhe decorativo, e sim como base do projeto. A ideia era lançar um herói que, só pelo enquadramento, parecesse novo dentro do que a Toei vinha fazendo.

Yoshikawa também aponta o contexto interno que pesou na decisão. Após Kamen Rider Super-1 (1980), a exibição televisiva da franquia Kamen Rider foi interrompida temporariamente, e a Toei ficou com apenas Taiyo Sentai Sun Vulcan (1981) como título tokusatsu de heróis em produção. Foi nesse cenário que ele diz ter sentido uma “crise de sobrevivência” para os heróis da Toei.

Um novo caminho para um herói solo com escala

Na visão de Yoshikawa, não bastava colocar mais um herói no ar. Havia uma necessidade estratégica: o formato de equipe colorida, com ação de grupo, nave-mãe gigante, robô combinado e combate contra monstros já sustentava popularidade, dentro do Super Sentai. Mesmo assim, ele entendia que era preciso abrir uma rota para um herói individual que não parecesse menor em escala, mesmo em comparação com uma equipe.

Foi nesse raciocínio que Yoshikawa diz ter consolidado duas ideias centrais: a de uma polícia galáctica e a de um detetive que vem do espaço. A referência atribui essa inspiração a uma leitura dele: Ginga Patroltai (Lensman Series), do autor de ficção científica E. E. Smith. A partir daí, o conceito de enviar um policial do espaço para a Terra se tornou o esqueleto que sustentaria a série.

Muitos rascunhos, uma decisão final

Yoshikawa também relata que a série não nasceu pronta. Antes do “ok” definitivo para produção, ele diz ter criado muitos documentos de estudo e ter testado possibilidades. A referência cita, por exemplo, uma proposta inicial em que o protagonista teria uma função ligada a proteção de animais, capturando monstros para mantê-los em um tipo de zoológico espacial. Nesse mesmo trecho, ele comenta que havia ideias influenciadas por sugestões vindas da Bandai, incluindo uma que ele relaciona a um executivo da empresa na época.

O processo, como descrito, foi feito com muita conversa e troca de ideias, envolvendo nomes como Shozo Uehara (roteirista), Susumu Takaku e o diretor Yoshiaki Kobayashi, além de uma comunicação extensa com a própria Bandai. O objetivo era reunir ideias, filtrar, descartar e, por fim, chegar a um projeto que sustentasse o “novo herói” desejado.

O desenho que virou certeza

O ponto em que Yoshikawa diz ter “visto o caminho” aparece quando Katsushi Murakami, que trabalhava com planejamento e desenvolvimento de produtos na Bandai, apresenta uma arte de design. Na descrição registrada na referência, o desenho avançava além do padrão “tecido com proteções” que se via em Kamen Rider e Super Sentai, e trazia um herói com elementos mecânicos mais fortes, com sensação futurista e mais próxima de um “robô”.

Yoshikawa afirma que, ao bater o olho nessa ilustração, ganhou a convicção de que seria possível criar um novo herói de tokusatsu. Ele descreve a imagem como um herói mecânico com espada, em um cenário que lembra um pântano em algum planeta, cercado por criaturas de aparência estranha. Para ele, era a pista visual que faltava para transformar intenção em obra.

Jouchaku, o nome certo para o momento certo

Uma decisão técnica virou marca registrada. Murakami comenta a escolha de reforçar o aspecto metálico, chegando à ideia de aplicar um acabamento prateado no traje. Em brinquedos, esse tipo de acabamento é mais simples; em peças grandes de FRP para filmagem, era um desafio considerável. Ainda assim, a busca por esse efeito era tratada como parte do que daria identidade ao herói.

Nesse contexto, entra o termo Jouchaku, apresentado como “vacuum deposition”, que associa ao processo de acabamento e que foi adotado como palavra para o instante em que o protagonista veste o combat suit de forma imediata. O tempo do Jouchaku é de 0,05 segundo, rápido demais para o olho acompanhar. Por isso, o recurso de replay com narração, pedindo para “ver o processo mais uma vez”, aparece como solução de encenação que aumentou o impacto do momento.

Essas informações são oficiais, mas o universo dos bastidores de Gavan ainda guarda muitos rumores. Sabia que um deles aponta sua inspiração ter sido o Surfista Prateado? Clique aqui para entender esse caso.

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