Designer de Gozyuger revela uso de IA na criação dos vilões da série
Em No.1 Sentai Gozyuger, a atual série Super Sentai, o artista Tamotsu Shinohara revelou ter recorrido à inteligência artificial para criar parte dos monstros exibidos na produção.
A informação veio à tona após uma postagem feita na conta pessoal do designer, que mais tarde foi apagada. No texto, Shinohara afirmou que utilizou ferramentas de IA generativa como ponto de partida para desenvolver os visuais dos vilões da série.
Segundo ele, as imagens não foram usadas “exatamente como geradas”, mas serviram de base para o processo criativo, muitas ideias teriam surgido por associação e inspiração a partir do material produzido pelas ferramentas.
A revelação causou grande repercussão entre os fãs de tokusatsu, levantando questionamentos sobre os limites éticos e criativos do uso de IA em produções televisivas.

A influência da tecnologia no design de Gozyuger
Em Gozyuger, Shinohara é o responsável pelos visuais do grupo de antagonistas conhecido como No One World Bridan. Esses personagens têm um papel central na trama, que gira em torno da tentativa de reunir os Sentai Rings para o casamento da Rainha TegaJune, um evento que, segundo o enredo, traria consequências catastróficas para o planeta.
De acordo com as referências publicadas por sites especializados, as ideias iniciais dos Bridan foram desenvolvidas com o auxílio da inteligência artificial, antes de passarem pelo refinamento manual do artista. Mesmo com a exclusão do tweet original, cópias da publicação circularam entre fãs e páginas dedicadas à franquia, garantindo que o debate permanecesse ativo.
Trajetória de Tamotsu Shinohara no tokusatsu
Com uma carreira iniciada nos anos 1980, Tamotsu Shinohara é um nome respeitado no design de personagens e monstros do gênero tokusatsu. Seu trabalho atravessou várias gerações de fãs, com contribuições em produções marcantes da Toei.
O artista foi o designer principal de séries como Kousoku Sentai Turboranger (1989), Juken Sentai Gekiranger (2007), Samurai Sentai Shinkenger (2009) e Ressha Sentai ToQger (2014). Ele também colaborou em títulos como Kyoryu Sentai Zyuranger (1992), Ninja Sentai Kakuranger (1994), Mahou Sentai Magiranger (2005) e Kaizoku Sentai Gokaiger (2011).
Fora do universo Sentai, criou ainda o visual dos Orphnochs em Kamen Rider Faiz (2003), demonstrando sua versatilidade e influência dentro do tokusatsu japonês.
IA e o futuro da criação no entretenimento japonês
A discussão sobre inteligência artificial não se limita a Gozyuger. O uso dessas ferramentas vem ganhando espaço em diferentes áreas do entretenimento, desde filmes e séries até materiais promocionais.
No Japão, o tema também foi abordado em outra grande franquia: Kamen Rider. O produtor Hideaki Yanaka, responsável por Kamen Rider Zeztz (2025), comentou em entrevista que a empresa evita detalhar quais tecnologias são empregadas na produção visual. Segundo ele, embora existam vantagens e desafios, é importante reconhecer que a IA generativa ainda enfrenta questões éticas e legais em aberto.
O avanço da tecnologia coloca em pauta como a criatividade humana e as ferramentas digitais podem coexistir. Para parte do público, a IA é uma aliada que agiliza processos e amplia possibilidades visuais. Para outros, representa uma ameaça à originalidade e à identidade das produções tradicionais de tokusatsu, conhecidas por seu trabalho artesanal e pelo uso intensivo de efeitos práticos.
Repercussão entre o público e bastidores
O tweet de Shinohara foi removido pouco depois da publicação, o que indica que o artista preferiu não prolongar a controvérsia. Ainda assim, o registro de suas palavras continuou circulando online, impulsionado por sites de notícias e fãs atentos às redes sociais. O caso reacendeu discussões sobre o papel da autoria em tempos de criação assistida por algoritmos, especialmente em uma franquia que tem meio século de história baseada em modelos físicos, dublês e figurinos detalhados.
Mesmo sem novos comentários oficiais do designer, o tema se tornou um marco importante na relação entre tradição e inovação dentro do tokusatsu.
Presença internacional e interação com fãs
Recentemente, Tamotsu Shinohara participou de uma live voltada ao público brasileiro, transmitida durante o 2º Festival de Cinema e Histórias em Quadrinhos de Marabá, realizado em setembro de 2025.
O evento permitiu que fãs acompanhassem o artista ao vivo e fizessem perguntas sobre seu processo de criação. Sua participação reforçou o interesse global pela produção japonesa e pela cultura dos heróis coloridos, que continua conquistando novos públicos mesmo meio século após sua estreia.
Entre tradição e tecnologia
A combinação entre ferramentas digitais e criação manual parece ser uma realidade cada vez mais presente nas produções japonesas. O caso de Gozyuger mostra como a inteligência artificial está sendo incorporada de maneiras diferentes, não para substituir o trabalho humano, mas como uma nova etapa do processo criativo.
Com a popularização da IA generativa, é provável que outras séries sigam caminhos semelhantes, adaptando o uso dessas tecnologias conforme seus objetivos e orçamentos. A discussão sobre limites e responsabilidades segue em aberto, mas o impacto já é visível nas telas — e nas conversas entre fãs.
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Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


