Como seriam os Power Rangers de cada estado brasileiro?
Os fãs de tokusatsu sabem que os Power Rangers sempre foram marcados pela diversidade de cores, símbolos e inspirações. Mas e se, em vez de guerreiros vindos dos Estados Unidos ou do Japão, existissem Power Rangers inspirados no Brasil? Essa é a proposta ousada e criativa do artista Wagner Tamborim, mais conhecido como Bag, que decidiu unir a paixão pela cultura pop com elementos da história natural e da identidade de cada estado brasileiro.
A ideia é simples e ao mesmo tempo fascinante: criar um Ranger para cada unidade da federação, combinando cores da bandeira estadual com animais pré-históricos que habitaram a região. O resultado é uma série de personagens que dialogam com a memória cultural, científica e regional do país, ao mesmo tempo em que homenageiam a estética clássica dos Mighty Morphin Power Rangers.
Dinossauros, fósseis e guerreiros coloridos
A base do projeto está em duas escolhas fundamentais. Primeiro, a utilização de espécies pré-históricas brasileiras, muitas delas pouco conhecidas do grande público, mas que tiveram importância significativa na paleontologia. Segundo, a aplicação das cores e símbolos das bandeiras estaduais em cada traje, criando uma ligação direta entre identidade local e design.
Assim, surgem figuras únicas como o Ranger do Paraná, inspirado no Kaiwajara, um pterossauro da região, com traje verde e detalhes vermelhos; ou a Ranger do Acre, que ganhou forma a partir da Foberomis, uma capivara gigante que habitou o estado. Outro exemplo é o Ranger de Minas Gerais, que se baseia no Uberatitã, um dos maiores dinossauros já descritos no país, traduzido visualmente em um uniforme branco com detalhes vermelhos.
Criatividade que atravessa estados
O projeto de Bag já contempla diversos estados brasileiros. Entre eles estão:
- Piauí: com o Prionossuchus, um enorme predador aquático que inspirou tons beges em seu uniforme.
- Rio Grande do Sul: representado pelo Brasilodon, pequeno mamífero pré-histórico, com predominância da cor vermelha.
- Santa Catarina: baseado no Roslyrictus, um peixe fóssil, que originou tons terrosos.
- Bahia: com o curioso Xenohinotérion, animal pouco conhecido, mas de aparência marcante, que inspirou um traje roxo.
- Paraíba: homenageada pelo Toxodon, semelhante a um grande rinoceronte, com uniforme vermelho, preto e dourado.
- Rio de Janeiro: com o Riostegotérion, um tatu gigante, em traje azul com detalhes da bandeira estadual.
- São Paulo: que ganhou um Ranger cinza, inspirado em um réptil fossilizado da região.
- Pernambuco: representado pelo Ayanguera, um pterossauro brasileiro, em azul escuro e com capa semelhante a asas.
- Ceará: marcado pelo polêmico Ubirajara, com uniforme verde e adereços nas costas.
- Espírito Santo: com a preguiça gigante Eremotegum, em tom rosa com detalhes azulados.
- Mato Grosso do Sul: representado pelo Ipidion, uma espécie semelhante a uma zebra gigante.














Cada um desses designs carrega elementos próprios, desde capacetes inspirados na anatomia dos animais até Moedas do Poder estilizadas, reforçando a conexão entre as criaturas e o universo Power Rangers.
Homenagem à cultura pop e à ciência
Além do apelo visual, o projeto desperta interesse científico e educativo. Ao apresentar animais pré-históricos brasileiros pouco conhecidos, Bag ajuda a popularizar a paleontologia nacional de forma acessível e divertida. Espécies que normalmente apareceriam apenas em livros acadêmicos ou museus ganham visibilidade no contexto da cultura pop, despertando curiosidade em diferentes públicos.
Também é interessante a valorização das bandeiras estaduais. Cada Ranger transmite, de forma simbólica, um pedaço da história e da identidade de sua região, reforçando a ideia de que o Brasil é um país de diversidade imensa – seja cultural, natural ou histórica.
O futuro da equipe
Bag deixou claro que a série de Power Rangers Brasileiros ainda não está completa. A ideia é expandir até que os 26 estados e o Distrito Federal ganhem seus representantes. Por isso, ele convida os seguidores a sugerirem qual será o próximo estado a ser contemplado, transformando o processo em um diálogo criativo com o público.
Essa interação fortalece a comunidade em torno do projeto, que cresce entre fãs de tokusatsu, arte e paleontologia. A cada novo personagem revelado, a expectativa aumenta: qual será o próximo animal escolhido? Como suas cores e formas serão adaptadas ao design heroico?
Um crossover de identidade
O trabalho de Bag, mais do que homenagar os Power Rangers, celebra a identidade brasileira sob diferentes perspectivas: da ciência à cultura popular, da diversidade natural à simbologia regional. Undi tudo isso em um projeto visualmente impactante e cheio de significado, o artista mostra como a criatividade pode aproximar mundos distintos e ainda provocar reflexão.
Se os Power Rangers originais lutavam para proteger o planeta, os Power Rangers Brasileiros de Bag cumprem outra missão importante: preservar a memória de nossa história natural e valorizar as raízes de cada canto do Brasil. Para saber mais sobre as produções nacionais inspiradas nos tokusatsus japoneses, confira este conteúdo exclusivo que preparamos sobre o tema!
Thiago Halleck é músico, tatuador, fã de tokusatsu e redator do Toku Blog.


