Ator de Ultraseven apoia processo contra vídeo de Ultraman vs. primeira-ministra
Um vídeo gerado por inteligência artificial colocou Ultraman em um confronto direto com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e virou alvo de críticas nas redes sociais. De acordo com o Yahoo News Japan, o material se espalhou principalmente no X em 11 de fevereiro de 2026, antes de ser removido após reclamação de direitos autorais, embora cópias ainda circulem em algumas plataformas.
A repercussão ganhou outro peso quando Koji Moritsugu, ator conhecido por interpretar Dan Moroboshi em Ultraseven, usou sua conta no X para demonstrar indignação. Ele citou e concordou com uma publicação de Takasu Katsuya que sugeria que a Tsuburaya Productions, responsável pelos direitos da franquia, deveria processar os envolvidos.
O que aparece no vídeo e por que a reação foi tão forte?
As descrições do conteúdo variam entre publicações, mas o núcleo da polêmica é o mesmo: um herói associado a valores de proteção e justiça é usado em uma cena de violência dirigida a uma figura política real. Em uma das versões descritas, o vídeo mostra um combate corporal entre Takaichi e Ultraman Jack de O Regresso de Ultraman, chegando a um desfecho em que a primeira-ministra é atingida pelo Raio Specium e “explode” na cena.
O tom do vídeo foi classificado como ofensivo por parte do público, tanto por envolver uma autoridade pública quanto por colocar um personagem icônico em um contexto de disputa política. Nas redes, surgiram críticas do tipo “uso político”, “desconfortável” e “não tem graça”, acompanhadas de pedidos para que a Tsuburaya reagisse rapidamente.
Remoção por direitos autorais e o efeito das cópias
Após pedidos ligados a direitos autorais, a circulação do vídeo sofreu um corte: ele foi retirado de plataformas onde aparecia com aviso de que ficou indisponível devido a uma solicitação do detentor dos direitos. Mesmo assim, cópias do material seguiram aparecendo em pontos diferentes da internet, o que alimentou a discussão sobre limites de controle e sobre como esse tipo de conteúdo se espalha com facilidade quando viraliza.
A tecnologia citada e o debate sobre responsabilidade
Há suspeitas de que o vídeo teria sido criado com o Seedance 2.0, um modelo de geração de vídeos por IA associado à ByteDance. A ferramenta permite produzir sequências a partir de prompts textuais e imagens de referência, acelerando a criação de cenas realistas e tornando esse tipo de conteúdo mais acessível.
Nesse cenário, volta a pergunta que atravessa o caso: quando a IA é usada para “paródia” e quando ela atravessa a linha da violação de direitos autorais, do dano à imagem e do desrespeito? Um comentário resume o ponto ao afirmar que o episódio vai além de uma brincadeira, podendo afetar o valor da obra e reforçando a tendência de cobrança de responsabilidade em casos considerados maliciosos.
O que Koji Moritsugu, ator do Ultraseven, escreveu?
Moritsugu reagiu no dia 12 de fevereiro de 2026, endossando a sugestão de que a Tsuburaya deveria processar. A manifestação repercutiu porque vem de alguém diretamente ligado à história da franquia, especialmente por sua atuação como Dan Moroboshi em Ultraseven. O ator aparece descrito como ativo nas redes, e sua postagem foi recebida como um recado: não se trata apenas de incômodo de público, mas de uma cobrança por medidas firmes contra o uso não autorizado.
Por que o caso toca no “legado” do herói e preocupa parte do público?
Entre as críticas, aparecem argumentos recorrentes: o risco de associar o personagem a um tipo de violência política que contraria a imagem construída ao longo do tempo; o desconforto ético de atacar uma figura pública real, mesmo em ficção; e a possibilidade de confusão para novas gerações que chegam à franquia por streaming.
Também há o pano de fundo da postura rígida atribuída à Tsuburaya diante de usos que prejudiquem a imagem da marca ou que se vinculem a posicionamentos políticos.
Sanae Takaichi é primeira-ministra desde outubro de 2025, após vitória do Partido Liberal Democrata, com ênfase de gestão em segurança nacional e fortalecimento econômico. No vídeo que viralizou, a presença dela como personagem central foi justamente o fator que ampliou o debate, por transformar um personagem cultural em ferramenta de ataque simbólico a uma autoridade real.
Próximos passos possíveis
Até aqui, o que se sabe é: o vídeo foi removido por reclamação de direitos autorais, cópias ainda circulam, e uma figura importante ligada à franquia endossou publicamente a ideia de ação judicial. O caso segue como exemplo concreto de como a evolução da IA aumenta a urgência de discutir fronteiras entre criação, uso indevido, ética e responsabilização.
Por sinal, um alerta parecido aconteceu em relação à franquia Godzilla. Continue conosco e clique aqui para saber mais.

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


