Três Samurais Fora da Lei

Três Samurais Fora da Lei e seu impacto no chambara japonês

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Hideo Gosha foi um diretor criado para a TV. Não é à toa que ele levou a sério a franquia Três Samurais Fora da Lei na TV e quis passar isso para as telas grandes. Embora “Três Samurais Fora da Lei” tenha sido grandioso e harmoniosamente perfeito, foi o único aclamado de sua carreira. Afinal, sair da TV para o cinema japonês exige um preparo gigante para enfrentar percalços. E foi o que aconteceu aqui. 

Gosha foi um diretor para TV e criou uma franquia bem aclamada no Japão dos anos 60. E resolveu levar para a tela grande, um pouco da sua experiência sobre a união de três ronins que o aclamou na TV num longa especial. O resultado é essa obra-prima atemporal que resistiu ao tempo.

Três Samurais Fora da Lei é um longa de ação. Começa com o vento e termina com o vento. É interessante que a obra é um chambara tradicional, que foca nos combates do que na história. A ideia do roteiro de Gosha Hideo e Abe Keiichi foi clichê (Ronins versus Nobres Corruptos). O segredo era fazer com que o espectador se simpatizasse com os heróis e contar de como eles se uniram para chegar nesse time.

A transição de Hideo Gosha da TV para o cinema

 Esse tipo de roteiro era muito comum na época e aqui não seria diferente. Por isso que o aclamado diretor quis focar na ação, tendo o vento como elemento base nos combates. Sim! O filme já começa com lutas e termina com lutas. 

A história do filme foi contada por intermédio de muitas lutas. Afinal, o que a maioria do telespectador espera de um filme desse nível são ótimas cenas de combate muito bem coreografadas e com muita violência. O telespectador se sente imerso no meio do combate. O sangue jorra de maneira meio exagerada entre homens e mulheres. 

Mesmo com tantas lutas violentas num roteiro aparentemente clichê para esse tipo de filme, a história consegue ser contada em detalhes. Por exemplo, nossos protagonistas não se juntam de imediato logo no primeiro encontro. Demorou (e muito) para que um ganhasse confiança no outro. Às vezes eles se apresentavam com certa rivalidade. E mesmo assim, granjeou-se respeito entre nossos heróis. 

A construção da relação entre os protagonistas

Nossos protagonistas foram representados pelo galã da época Tetsuro Tamba, que, do mesmo modo que em Harakiri (1963, de Masaki Kobayashi), recusou espadas cenográficas nos combates, mostrando precisão no manejo do objeto, Nagato Isamu, ator bem presente na época e ótimo lanceiro no filme, e Hira Mikijiro, como um vaidoso ronin viciado em luxúria e ostentação. Os três juntos criaram um time com uma química precisa e valiosa para esse tipo de filme. 

E o telespectador acaba curioso em saber como foi a real conclusão do filme, visto que ele terminou de maneira meio abrupta, do mesmo jeito que começou. E sempre o Vento como elemento principal nesse tipo de filme.

A presença feminina nesse filme é maior do que em muitas películas da época. E elas possuem uma participação mais ativa nesse filme. O destaque fica por conta da bela Kuwano Miyuki, que representou tudo que uma mulher da época queria ver sendo retratada. Afinal, como já foi falado em resenhas anteriores, o papel da mulher na época do Japão Feudal era pífio e tentaram representar isso em muitos filmes de samurais da década do pós-guerra (no caso, 1945). 

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Aqui, Gosha ousou em trazer mulheres em papéis de destaque e em condições de suma importância para uma época onde o machismo imperava no cinema japonês. Afinal, chambaras são filmes para o público majoritariamente masculino (não que seja proibido para mulheres assistirem, mas o público feminino tinha outras obras segmentadas para seu gosto). 

E pelo fato de chambaras serem mais para o público masculino, o telespectador que consome esse produto queria se ver na tela. A função de um filme é, na maioria dos casos, trabalhar com a imaginação do espectador, fazendo com que ele fique imerso no produto apresentado. E como o orgulho masculino era forte na época, é considerado normal o destaque em personagens masculinos, embora que, nesse filme em especial, a figura feminina é importante. 

Três Samurais Fora da Lei
Cena de “Três Samurais Fora da Lei”

O papel feminino no chambara de Gosha

Outra coisa que me impressionou no filme foi a cenografia, que retratou com certa beleza selvagem, o Japão Feudal. Para fazer um filme do tipo, é preciso que o espectador se familiarize com o cenário. O Japão da época era pobre entre a população. Ou seja, retratar um país que tem fama de ser rico nos dias de hoje com o de uma época anterior exigiu uma pesquisa precisa e acurada. 

E Gosha não teve vergonha em mostrar como os antepassados do seu povo eram pobres e que sofriam com a corrupção. E vemos isso no uso de cenários esteticamente pobres, mas belo, como deve ser nesse tipo de filme. O diretor também exigiu de Fujita Shigeru (figurinista), um figurino aparentemente pobre na maioria dos personagens. Mas, ricos em detalhes que fazem toda a diferença em mostrar o que é belo nesse tipo de filme. A união de direção de arte e figurino foi impressionante. 

Japão feudal retratado

Uma menção honrosa para a prolífera trilha sonora composta por Tsushima Toshiaki. Músicas de fundo que flertavam entre o antigo e o moderno (para a época) embalavam as histórias contadas no filme. Mas podia usar e abusar ainda mais dos instrumentos japoneses tradicionais (shamisen, biwa, sakuhachi, taiko, koto e etc). 

Nesse caso, vale salientar que é uma opinião subjetiva. A trilha sonora é bela e condizente para a temática. Mas para chambaras, minha pessoa prefere temas mais tradicionais do tipo que encontramos em Kumonoso-jo ou até mesmo Harakiri. Mas isso é só uma opinião subjetiva. Não é verdade absoluta.

Três Samurais Fora da Lei parece ser uma franquia interessante. Nós ficamos curiosos em ver como foi a série dos anos 60 do século XX. Aparenta ser uma franquia rica em detalhes e que deve ser cheia de momentos cativantes. Embora os atores sejam bons, os personagens são mais cativantes ainda e devem ser impressionantes na televisão. 

Ajudados pela edição de Ota Kazuo, o filme foi montado de um jeito que prende o espectador. Se foi bem sucedido nesse sentido, imagine o quanto foi importante a série de TV! É um prato cheio para quem gosta de um bom filme de samurai bem movimentado. 

Aliás, para saber mais sobre cinema japonês, confira aqui outras resenhas que escrevi para o Toku Blog!

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