Toei investe US$ 2 bilhões no mercado internacional (incluindo tokusatsu)

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Com mais de 70 anos de história, a Toei nunca esteve tão disposta a mudar. Conhecida mundialmente por franquias de tokusatsu como Kamen Rider e Super Sentai, a gigante japonesa está apostando alto em uma estratégia ambiciosa para conquistar novos públicos fora do Japão — e não estamos falando apenas de distribuir o que já existe. A ideia é criar conteúdo pensando no mundo desde o primeiro roteiro.

O que está em jogo: US$ 2 bilhões e uma nova forma de fazer negócios

De acordo com uma entrevista feita pelo site Deadline com Fumio Yoshimura, CEO da Toei, o plano é claro: deixar de ser apenas uma potência local e se tornar um player global. Para isso, a empresa destinou US$ 2 bilhões a um pacote que inclui desenvolvimento de novas produções, melhorias tecnológicas em estúdios e pós-produção, e um novo modelo de parcerias internacionais — menos burocrático e mais direto.

Esse movimento marca um rompimento com o tradicional sistema japonês, considerado pouco amigável para colaborações com empresas estrangeiras. A ideia agora é trabalhar com acordos 50/50, o que torna tudo mais ágil e interessante para quem quer produzir junto.

Um novo herói nasce (e não é japonês)

Entre as novidades, o projeto mais ousado talvez seja a criação do primeiro super-herói da Toei feito especificamente para o mercado internacional, o que dá uma dimensão da importância dessa aposta.

Além disso, vem aí uma série histórica de grande orçamento com cara de Game of Thrones, escrita em conjunto com roteiristas dos Estados Unidos. Também estão em desenvolvimento um filme ambientado em Nova York com parcerias no Japão, EUA e Taiwan, e um projeto conjunto com produtores africanos — algo inédito na história da empresa.

Tokusatsu como produto global

Se engana quem pensa que os heróis do gênero vão ficar de fora. Kamen Rider, Super Sentai e até Power Rangers fazem parte da nova estratégia da Toei, que quer reativar o interesse global por seus clássicos do tokusatsu. A ideia é atualizar e expandir essas franquias, com olho principalmente nos mercados asiático e norte-americano.

Com 39 mil episódios de séries já produzidas e mais de 4.400 filmes no catálogo, a Toei pretende dobrar sua receita internacional até 2033, saltando de 30% para 50% do faturamento total.

Japão: um mercado saturado, mas ainda valioso

Embora o Japão continue sendo uma base sólida, o mercado local está próximo do limite. A população encolhe, o consumo estabilizou e o número de lançamentos de Hollywood diminuiu, o que afetou a bilheteria em 2024. Ainda assim, o país mantém relevância em nichos como vendas de Blu-rays e cinema-evento, com transmissões ao vivo e experiências imersivas em salas de cinema.

É nesse cenário que a Toei aposta em diferenciação: upgrade nos cinemas da rede T-Joy, shows com realidade aumentada, streaming alternativo e mais interatividade com o público.

Tecnologia, Kyoto e o samurai 5G

Outro investimento pesado está nos estúdios em Tóquio e Kyoto, que passam por modernizações para abrigar gravações com tecnologia de ponta, como cenários virtuais em 270 graus, uso de inteligência artificial e efeitos especiais de nova geração. Com o incentivo de reembolso de 50% do governo japonês para produções feitas no país, a Toei espera atrair produções internacionais que buscam locações autênticas e estrutura de alto nível.

Esse movimento já começou: desde o sucesso da série Shogun, empresas estrangeiras têm sondado a possibilidade de gravar em Kyoto, buscando uma estética japonesa com apelo global.

Parcerias asiáticas e além

Na Ásia, a Toei tem apostado em colaborações que misturam talentos e públicos. A animação Voltes V: Legacy foi feita com uma emissora filipina, e a produtora já mantém parcerias com empresas da Coreia e da China. A ideia agora é ir além: criar IPs originais com estúdios chineses, que sejam percebidos como conteúdos locais — e não importações japonesas.

Esse tipo de co-produção é cada vez mais comum na região, como uma forma de dividir riscos, ampliar audiências e aproveitar incentivos fiscais em diferentes países.

O aprendizado de Shogun

O sucesso da nova adaptação de Shogun, da Hulu/Disney, foi um divisor de águas para a indústria japonesa. Pela primeira vez, uma produção de alto nível com temática japonesa conseguiu se destacar globalmente sem depender de uma franquia conhecida de mangá ou anime. Isso acendeu um alerta: talvez seja hora de acreditar que o público internacional consegue se conectar com o Japão de outras formas também.

Mesmo assim, a Toei mantém os pés no chão. Sabe que nem toda adaptação funciona — como já ficou claro em algumas tentativas frustradas de levar animes para o cinema ocidental. Por isso, as futuras colaborações serão mais criteriosas, com apoio de uma equipe dedicada à produção e licenciamento global.

Aliás, o próprio Shinichiro Shirakura já falou sobre esse tema anteriormente, conforme noticiamos aqui.

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