Samurai o lendário mundo dos guerreiros

Samurai: o lendário mundo dos guerreiros além do cinema e da ficção

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O imaginário dos samurais sempre esteve presente no tokusatsu, seja como referência direta, seja como base simbólica para heróis, vilões e códigos de honra. Séries clássicas e modernas beberam dessa fonte histórica para construir personagens que carregam disciplina, sacrifício e combate como pilares narrativos. Para quem consome tokusatsu, entender quem foram os samurais de fato ajuda a compreender melhor muitas dessas representações. É nesse ponto que Samurai – O Lendário Mundo dos Guerreiros, de Stephen Turnbull, se torna uma leitura essencial.

Panorama histórico do jeito de ser dos guerreiros samurais

Em 2003, eclodiu nos cinemas estadunidenses a popularidade dos guerreiros samurais graças ao desempenho do filme O Último Samurai (The Last Samurai, 2003) de Tom Cruise. Com isso, a popularidade dos guerreiros japoneses aumentou em terras yankees e muitos historiadores do Ocidente quiseram se aprofundar no mundo dos samurais. Stephen Turnbull já era um famoso escritor britânico e que ajudou no trabalho de consulta, visto que é um dos historiadores especializado em cultura samurai mais respeitados do Ocidente.

A familiaridade com o assunto militar, principalmente o do Japão em diversas épocas do país, só fez com que o seu trabalho fosse reconhecido não só pelos Ocidentais, como pelos japoneses também. E isso é ótimo. Só por esse livro já dá para imaginar o amor que ele sente pela história do Japão e que ele possui um padrão de vida de um japonês, mesmo não sendo nativo do país.

A escrita e a profundidade histórica

Ele escreveu de um jeito como se ele vivenciasse a história do país. Até mesmo por incidentes menores (como o evento relacionado aos Tigres Brancos, praticamente desconhecidos para os ocidentais). O autor usou uma linguagem que fizesse com que o leitor adentrasse no mundo dos samurais. Tudo foi muito bem selecionado e pesquisado. Não se deixem enganar pelos erros de digitação da tradução (afinal, ler expressões como “camicase” ou “Oda Nobubaba” doeu isso porque não citei outros erros de digitação lingüísticos, como AÇASSINATO, INTENSÃO ou ALBARDA…. eu demitiria o revisor da tradução da editora).

Mas, a essência do texto é ótima e rica. Muitas informações pormenorizadas foram extraídas de ótimas fontes bibliográficas e enriqueceram ainda mais o texto. Aliás, o jeito em que o texto foi colocado nas páginas deixou a leitura mais dinâmica. Quem já é um leitor dinâmico (aquele que lê rápido e capta a essência do texto de primeira) como eu, consegue digerir ainda mais a leitura com muita facilidade. Quem gosta do tema pode se aprofundar mais e mais.

Imagens, gravuras e ambientação

Outra coisa que me chamou a atenção nesse livro foram as gravuras e fotos. Belas imagens foram usadas, tanto as xilogravuras feudais usadas em biombos e pergaminhos como as fotos de jardins, castelos e paisagens. Aliás, são tantas coisas tão belas nesse livro que o leitor acaba absorto no Japão dos últimos 700 anos.

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Sim! O jeito em que as gravuras, aliadas a um bom texto, são inseridas mostram que a intenção da editora é deixar que o leitor seja absorvido pelo tema do livro. Se você, como leitor, começar a ler esse livro escutando músicas tradicionais japoneses com os instrumentos padrões como biwa, shamisen ou sakuhachi vai se sentir encantado de como a leitura flui e você se torna parte daquele mundo.

Abrangência geográfica e cultural

O livro é bem abrangente. Embora o Japão tenha tido vários povos combatentes (como os Ainus e os Shinobi), o foco foram os guerreiros samurais e suas variantes (como guerreiros samurais que se tornaram wakos, ou piratas). Também vimos a influência bruta dos samurais em países vizinhos do leste asiático, como Sião, Laos, Vietnã, Coréia do Sul e China. Nesses países ainda se encontram vestígios da influência desses valorosos guerreiros.

O autor até mesmo ousou ao propor que a Europa antiga adotou o estilo dos japoneses em alguns itens da sua história, como formação de guerra e construções de fortalezas. Pode soar como exagero de um apaixonado pela história militar e bélica do Japão por parte do autor? Sim! Pode! Mas ele mostrou evidências no texto e em fotos, o que deixou o relato mais rico do que já é.

Mitologia, castelos e legado histórico

Tudo de importante da história do Japão foi mencionado. A época dos Estados Guerreiros, as jóias da coroa japonesa (a Espada, o Espelho e a Granada) e até um pouco de mitologia foi citada, sendo que a história mais famosa foi a da Amaterasu que se trancou numa caverna depois de ter sido insultada por seu irmão Susano-ou. Tudo bem tratado e bem cuidado.

Uma das minhas partes favoritas foi sobre as construções de castelos e fortalezas. Uma verdadeira aula de arquitetura bélica. E sem falar que foi um espetáculo com belas fotos de construções japonesas antigas. Algumas estão aptas até para serem impressas e colocadas num quadro, de tão belas que são.

Considerações finais

Quem ler esse livro vai entender muito mais do que já conhecia dos samurais do que antes. E vai entender o porquê de Stephen Turnbull ser um dos historiadores ocidentais mais respeitáveis sobre esse estudo. É um estudo rico em informações que vai te deixar imerso num mundo que, na teoria, é belo, embora a realidade de como foi, ter sido apática.

Se você curte esse diálogo entre história japonesa, samurais e a forma como isso reverbera no tokusatsu e na cultura pop, eu convido você a conferir outras resenhas que escrevi aqui no Toku Blog, onde sigo explorando essas conexões com calma, contexto e memória afetiva.

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