Nelson Sato fala sobre a conexão entre imigrantes e cultura pop do Japão
Na entrevista concedida ao site Correio da Manhã, Nelson Sato, fundador da Sato Company, revelou um dos aspectos mais significativos de seu trabalho: o papel que as obras audiovisuais japonesas — incluindo tokusatsu — tiveram e ainda têm na reconexão de imigrantes e descendentes com suas origens culturais.
A Sato Company completa 40 anos em 2025. Desde sua fundação, a distribuidora se dedicou à ponte entre Brasil e Japão, trazendo ao público brasileiro séries que marcaram época, como Jaspion, Jiraiya, Kamen Rider Black e outros heróis que até hoje permanecem vivos na memória coletiva.
Mas o impacto vai além da nostalgia.
Segundo Nelson Sato, “muitos imigrantes e descendentes podem se reconectar com sua origem a partir das obras que trazemos”. Essa afirmação aponta para um aspecto profundo do audiovisual: a capacidade de criar vínculos afetivos, históricos e culturais.
No caso da comunidade nipo-brasileira, que soma milhões de pessoas espalhadas por todo o país, o tokusatsu representou — e ainda representa — uma forma simbólica de contato com valores, estética e narrativas típicas do Japão.
Tokusatsu como herança cultural no Brasil
Embora muitos brasileiros tenham assistido a esses programas por puro entretenimento, o impacto foi particularmente marcante entre descendentes de japoneses.
Para famílias que se estabeleceram no Brasil ao longo do século XX, ver essas produções na televisão aberta — e, mais recentemente, em plataformas digitais e cinemas — funcionou como um reencontro com o imaginário de sua terra de origem. Os valores frequentemente presentes no tokusatsu, como disciplina, respeito, solidariedade e justiça, coincidem com pilares tradicionais da cultura japonesa.
Além disso, os elementos visuais, os nomes dos personagens, os gestos e as músicas ativam uma memória afetiva que vai além do roteiro. A familiaridade estética ajuda a manter um senso de identidade e pertencimento, especialmente entre gerações mais jovens que já nasceram no Brasil.
O trabalho da Sato Company ao longo das décadas
Nelson Sato iniciou a trajetória da empresa em 1985, no setor de home video. Mas foi a partir de 1988 que a Sato Company se tornou referência ao levar os tokusatsu à televisão brasileira. A chegada dessas séries impulsionou o interesse pela cultura pop japonesa e influenciou hábitos de consumo, formas de brincar, e até mesmo a maneira como muitos jovens se relacionavam com sua ascendência.
Na mesma entrevista ao Correio da Manhã, Nelson destacou também outras conquistas relevantes, como a exibição do anime Akira nos cinemas em 1991, e a chegada de Naruto ao SBT em 2007.
Hoje, com a inauguração do Sato Cinema no bairro da Liberdade, em São Paulo, a Sato Company reafirma seu compromisso com a cultura asiática — e, ao mesmo tempo, proporciona novas formas de reconexão para quem cresceu com essas histórias ou busca conhecer suas raízes por meio delas.
Uma ponte que continua sendo construída
A fala de Nelson Sato evidencia que o trabalho de distribuição de conteúdo asiático tem dimensões que vão além do mercado. Trata-se de uma construção simbólica, que ajuda a manter viva uma identidade cultural em meio à diversidade brasileira.
O tokusatsu, nesse sentido, cumpre uma função de ponte: entre gerações, entre continentes, entre memórias. E a Sato Company, ao longo de quatro décadas, tem sido uma das principais responsáveis por manter essa ponte firme — não só entre o Brasil e o Japão, mas entre o passado e o presente de milhares de pessoas.
E o que teremos no futuro? Confira abaixo a entrevista que fizemos com Nelson Sato que fala justamente sobre os próximos planos para o tokusatsu no Brasil.

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


