Mangá do começo ao fim

Mangá do começo ao fim: a história dos quadrinhos japoneses

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Antes de muitos conhecerem mangás pelo papel, o tokusatsu já ajudava a moldar esse imaginário no Brasil. Séries exibidas na TV criaram pontes visuais e narrativas que levaram parte do público a buscar histórias mais profundas nos quadrinhos japoneses. Entender como esse caminho foi construído, desde suas origens até o impacto global, ajuda a compreender por que mangás, tokusatsu e cultura pop japonesa caminham juntos há décadas. É exatamente esse percurso que “Mangá Do Começo ao Fim” se propõe a registrar.

Compilado de matérias que narram a história do mangá do começo ao fim

Ah…. o maravilhoso universo dos quadrinhos japoneses. Para a minha geração, começou com uma fase embrionária com o surgimento do desenho animado Cavaleiros do Zodíaco em 1994, na Manchete. Mas o grande “boom” dos quadrinhos japoneses nas bancas e livrarias começou mesmo em 2001, com lançamento de grandes obras, como Saint Seiya, Dragon Ball e Vagabond.

De lá pra cá, tivemos uma enxurrada de lançamentos do tipo, sendo que, em muitos casos, ultrapassando até mesmo quadrinhos estadunidenses e nacionais. Mas, como começou? Como se popularizou? Como foram as décadas seguintes?

Sérgio Peixoto e a construção de um panorama histórico

Bem, para isso, tivemos esse livro escrito pelo nosso consagrado editor Sérgio Peixoto Silva, que, durante um pouco mais de 90% de sua vida pessoal e jornalística, dedicou a expressar sua paixão por esses quadrinhos japoneses.

Dono de um acervo invejável para os amantes de leituras de mangás, ele explanou em várias épocas da sua vida seu amor por essa arte que, diretamente ou indiretamente, passaram por milênios até chegar no seu formato atual. Esse livro é um emaranhado de matérias que ele fez no decorrer de sua carreira e escritas de uma maneira concisa.

Para o leitor mais atento, pode até soar repetitivo em alguns pontos. Mas não julgo se pensarem assim. Esse foi um compilado de matérias escritas em épocas diferentes para formarem esse livro-brochura. Jornalista experiente, Peixoto soube juntar essas partes de um jeito que fossem escritas na mesma época.

Quebrando mitos do imaginário otaku

Para os fãs brasileiros mais xiitas de mangás, algumas verdades podem soar assustadoras. Por exemplo, dizer que Osamu Tezuka (considerado o “deus do Mangá” no Japão) se inspirou claramente em desenhos de Walt Disney pode soar como “heresia”.

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Mas Peixoto não teve medo de ser jogado na “fogueira da Santa Inquisição otaku”. Jogou a verdade com muito tato. E esse choque de realidade se faz necessário. Muitos que se dizem “otakus” possuem uma ideia distorcida do que realmente seja o formato atual. Muitos acham que o formato veio ainda na década de 70 do século XX.

Mas Peixoto pôde explanar com toda a sobriedade que as ilustrações japonesas são mais antigas do que se pensa. Foi bem direto ao dizer que o estilo começou de um jeito que muitos nem imaginam, onde só pessoas da corte tinham acesso a cultura. Com a chegada do Ukyo-e, a grande massa pôde se aventurar pela cultura do país e isso foi muito bom.

Mangá, estilo e valorização do quadrinho nacional

Peixoto também foi categórico ao mostrar que o “estilo mangá” é diferente do mangá propriamente dito. E isso abriu margens para explanar artistas nacionais que foram bem quistos no mercado editorial no país e no mundo com seu trabalho.

Citar nomes como Fábio Yabu, Cláudio Seto, Denise Akemi e Erica Awano foi uma valorização gigante para o nosso mercado, visto que o brasileiro em si possui receios de consumir e valorizar o que é produzido aqui em qualquer ramo artístico (música, literatura e cinema, por exemplo). Mas Peixoto se permitiu frear essa “síndrome de vira-lata” e exaltou o quadrinho nacional e os bons nomes reconhecidos no decorrer das décadas.

A queda do mangá e o choque de realidade

A última parte pode deixar o leitor em choque. Falar do fim dos mangás. Como assim? Bem… o grande “boom” mangatico teve seu auge até a primeira parte da década de 90 do século XX. Dizer que de lá até hoje muita coisa mudou fez a venda dos mangás japoneses diminuírem não é exagero. E se há 15 anos a coisa já estava em declínio, imaginem hoje, quando os principais fatores que facilitaram ainda mais a queda da popularização estão mais atraentes para o consumidor!

E sim, analisando a lógica, não dá para dizer que o mangá de hoje em dia rende como no passado. E isso tudo é explanado de maneira imparcial. Para o leitor acostumado que jornalistas “façam cafuné” nos seus textos para agradá-los, essa parte pode causar um baque. Mas se faz necessária para um bom andamento da formação cultural do “otaku”.

Considerações finais

O livro possui MUITAS gravuras e faz um emaranhado de ilustrações de diversas épocas. Claro…. temos muitas informações defasadas, principalmente por apresentar dados estatísticos de 15 anos atrás. Mas não deixa de ser uma leitura obrigatória para quem quer conhecer como foi a história dos quadrinhos japoneses desde o seu início nos anos 1100 até os dias de hoje no Japão e no resto do mundo.

Se você quiser saber mais sobre mangás, tokusatsu e como a cultura pop japonesa se formou ao longo das décadas, clique aqui para conferir mais resenhas que escrevi para o Toku Blog.

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