Contos Japoneses: fábulas e contos de fadas do Japão para leitores ocidentais
Muito antes de yokais ganharem formas estilizadas em séries de TV ou vilões surgirem em batalhas exageradas do tokusatsu, o imaginário japonês já era povoado por criaturas mágicas, heróis improváveis e lições morais transmitidas por meio de fábulas. Contos Japoneses bebe diretamente dessa fonte ancestral que, décadas depois, ajudaria a moldar narrativas vistas em mangás, animes e no próprio tokusatsu.
A obra reúne contos de fadas e fábulas japonesas adaptadas para o público ocidental.
Um projeto voltado às crianças ocidentais
Finalmente, o segundo volume escrito por Yei Ozaki no princípio do século XX foi lido. Como dito na resenha anterior, a autora é britânica com descendência japonesa. O intuito dela em fazer essa compilação de contos e fábulas japonesas é de levar um pouco da cultura de seus antepassados para as crianças ocidentais, com foco na criação anglo-saxônica. Por isso, a tradução levou em conta o padrão anglo-saxônico para o Brasil, não algo japonês.
Amantes da cultura japonesa no Brasil que lerem esse compilado podem estranhar um pouco alguns termos, como Goblins e Generais, ao invés de Oni ou Daimio. Mas o livro tem muitas notas de rodapés com anotações importantes para as crianças anglo-saxônicas da época se familiarizar com a formação japonesa.
Afinal, foi mais fácil uma criança ocidental da época ler a palavra “goblin” do que “oni”, visto que “globin” era uma expressão recorrente em contos de fadas ocidentais, por exemplo.
Histórias conhecidas e descobertas inesperadas
A compilação de Yei tem várias histórias conhecidas por amantes de cultura japonesa fora dos limites dos animes e mangás. Um exemplo foi o do menino Momotaro e o outro foi da princesa Kaguya. Mas tinha muitas histórias desconhecidas, como o do Macaco e do Caranguejo, que foi novidade para mim.
Os contos estavam bem entrosados e o livro é rico em gravuras que ajudam o leitor a assimilar conteúdos da narrativa.
Lições morais e tradição oral
Em algumas fábulas, notamos anotações no início de cada tomo sobre qual era o objetivo da leitura desse conto. Sim! Muitas histórias têm lições de moral que são passadas de geração para geração no Japão e que podem servir para as gerações no Ocidente.
Lições sobre ser obediente, se contentar com o que tem, não praticar a Avareza e as conseqüências negativas da Inveja são só algumas lições que o leitor pode encontrar nesse compilado.
Edição, brindes e experiência de leitura
Agora, analisando o conjunto da obra e da edição adquirida, digo que vale muito a pena. Temos brindes valiosos, como um pôster de um ronin (que será devidamente enquadrado no tempo certo), postais e marcadores de livro. Tudo isso por um preço até plausível, visto que coleções desse tipo costumam ter valores exorbitantes. E ainda veio numa luva com o desenho do ronin que está no pôster.
É uma literatura tão rica que tu nem percebes o tempo passar. Se tu fizeres a leitura escutando músicas instrumentais e tradicionais japonesas, como as trilhas sonoras da franquia de games Samurai Spirits ou de chambaras, tu ficas tão imerso que o resultado é que tu leres de forma tão rápida que nem percebe o tempo passar.
A tradução eficiente deixou a leitura mais agradável ao paladar do leitor que ânsia por algo diferente do que é retratos em animações e quadrinhos japoneses.
Para saber mais sobre contos tradicionais japoneses, folclore oriental e obras que influenciaram a cultura pop do Japão, clique aqui para conferir mais resenhas que escrevi para o Toku Blog.
Rodrigo Pato é jornalista e fã de tokusatsu.



