CD Japan Traditional Music

Koto, Shamisen e Shakuhachi: o CD que resgatou a tradição no Centenário da Imigração

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Antes do sucesso estrondoso que o tokusatsu e os animes alcançaram no Brasil, a relação do público com a cultura japonesa passava fundamentalmente pelas tradições mantidas pelas comunidades de imigrantes. O som das festividades, a disciplina das artes e o respeito à ancestralidade formavam a base dessa conexão cultural única. E o CD Japan Traditional Music é um exemplo.

Mergulhar nas raízes da música tradicional nipônica é entender a essência de arquétipos históricos como os samurais e a própria alma do Japão antigo. A resenha a seguir analisa um lançamento musical de 2008 que resgatou justamente essa sonoridade ancestral, utilizando instrumentos clássicos como o koto, o shamisen e o shakuhachi.

JAPAN TRADITIONAL MUSIC – KOTO, SHAMISEN, SAKUHACHI ©2008

Uma análise detalhada sobre o álbum da Azul Music lançado no Centenário da Imigração Japonesa.

Contexto da obra

Em 2008, completou-se o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Houve comemorações em diversas colônias espalhadas no país, inclusive, com a visita do Imperador Heisei nas colônias de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Foi um ano festivo para os amantes da cultura nipônica que cresceram com a ambientação proposta na música, animação, literatura e cinema.

Mas o que comanda a atração do povo brasileiro pelo Japão está na sua cultura pop. Mas antes do adentro da cultura pop através de tokusatsu, animes, games e mangás, as colônias japonesas no Brasil eram mais tradicionais. O min’yo, o matsuri, o bon odori eram comuns nas colônias. Por causa disso, investir em algo mais tradicional onde o moderno domina seria arriscado.

A aposta da gravadora

A Azul Music resolveu arriscar. Ela já tinha lançado 3 anos antes, o CD Música do Japão da série Músicas do Mundo (onde reunia 25 CDs de músicas folclóricas de 25 regiões do mundo). Mas o que ela fez em 2008 para o centenário da imigração foi um complemento da versão de 2005.

Ou seja, um CD mais longo, com 9 faixas com o tradicional koto, sakuhachi e shamisen. Os artistas escolhidos foram Tamie Kitahara, Fernando Neves e Shen Ribeiro, músicos da própria Azul Music. O CD foi produzido por Corciolli, especialistas em músicas de relaxamento (conhecidas como new age) e um repertório refinado.

Proposta e arranjos

O CD nos apresenta 9 faixas. Todas as versões em instrumentos tradicionais japoneses de min’yo (música folclórica japonesa) tão comuns no Japão antigo e com voz de Tamie Kitahara em algumas faixas.

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Para quem gosta de algo mais tradicional da cultura japonesa, com certeza vai gostar desses arranjos. Somos agraciados com boas tonalidades de um som agradável.

Destaques das faixas

O CD começa com a faixa Kuroda Bushi. Junto com Soran Bushi, é uma das min’yo mais famosas do Japão e veio da era Edo. Da província de Fukuoka, a música ganha um arranjo mais melancólico no Shamisen de Tamie Kitahara. O arranjo é profundo e belo e significa que quem a ouve, se sente atraído para o Japão dos samurais. Para quem conhece a música, a letra não faz falta. Mas só a melodia é perfeita para nos aventurarmos num Japão raro e belo.

Outra faixa de destaque é a intitulada Kuro Kami, faixa foi composta no século XVII e tem a voz de Tamie Kitahara. A música é para ser só no shamisen e a voz de Kitahara deixa a melodia mais lúgubre, mas de beleza singular. A música é bastante utilizada em teatro kabuki por retratar a beleza dos cabelos negros das mulheres japonesas.

Outro destaque é a famosíssima Sakura Sakura, que rendeu uma das mais belas versões para essa canção folclórica cantada para exaltar a beleza da Sakura. Eu tenho essa música num LP e posso dizer que essa versão do CD é uma das melhores da música.

Avaliação final

O trabalho de Corciolli com artistas de categoria elevada em exaltar a beleza da cultura japonesa é digno de nota. Foi um CD razoavelmente longo. Tinha espaço para muito mais faixas. Mas foram 48 minutos da mais essência do min’yo.

Um gênero pouco explorado por descendentes, acostumados com o moderno. Mas se os veteranos ouvirem, é capaz de sentirem a magia entrando pelos ouvidos e se veem viajando para o Japão dos Samurais. É um CD rico para os amantes da cultura japonesa.

Para quem quer desvincular um pouco do “barulho” do J-pop e J-Rock e conhecer o que os antepassados escutavam na juventude, esse CD veio em ótima hora. A Azul Music é especialista em resgatar memórias de um passado distante e rico e vimos o resultado nesse CD e em outros. Músicas que podem ser usadas para vários festivais das colônias do país.

Se você curte a sonoridade clássica da terra do sol nascente e quer descobrir novos materiais sobre o assunto, confira outras resenhas minhas aqui no Toku Blog!

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