Masami Kurumada vai à Justiça após alegar prejuízo de bilhões de ienes
Masami Kurumada, criador de Cavaleiros do Zodíaco, entrou na Justiça japonesa após alegar que empresas sob seu comando sofreram um enorme desvio de recursos durante vários anos. Embora o caso não envolva diretamente tokusatsu, a importância do mangaká para a cultura pop japonesa no Brasil e a forte ligação histórica entre Saint Seiya e o público das séries japonesas exibidas pela Rede Manchete tornam o episódio especialmente relevante por aqui.
Kurumada e três empresas relacionadas aos direitos e à administração de suas obras buscam aproximadamente 2,89 bilhões de ienes (cerca de R$ 93,59 milhões) em indenização contra um ex-gerente e outras partes envolvidas. A ação foi apresentada nesta quarta-feira, 2 de setembro, ao Tribunal Distrital de Tóquio.
O que aconteceu com Masami Kurumada?
Segundo a TBS NEWS DIG, Kurumada afirma que um homem que atuava como gerente e era responsável pela área financeira e administrativa teria realizado transferências de recursos sem autorização.
De acordo com a alegação apresentada pelas empresas, movimentações financeiras irregulares teriam ocorrido entre 2018 e 2024. O ex-gerente ocupava uma posição de confiança e administrava tarefas que incluíam contabilidade e negociações externas.
As empresas sustentam que dinheiro de contas corporativas teria sido enviado para companhias controladas pelo próprio ex-gerente. Também haveria casos em que valores referentes a licenciamentos teriam sido direcionados para contas diferentes daquelas que deveriam receber os pagamentos.
É importante destacar que essas informações fazem parte das alegações apresentadas por Kurumada e pelas empresas autoras da ação. O processo ainda precisa seguir seu curso judicial.
Prejuízo alegado chega a aproximadamente 4,68 bilhões de ienes (cerca de R$ 151,40 milhões)
O valor total que teria saído das empresas durante o período é estimado em aproximadamente 4,68 bilhões de ienes.
Parte desse dinheiro, cerca de 1,8 bilhão de ienes (em torno de R$ 58,23 milhões), já teria sido recuperada. Por essa razão, a ação apresentada agora pede aproximadamente 2,89 bilhões de ienes (aproximadamente R$ 93,59 milhões) em indenização.
Kurumada afirmou durante uma coletiva realizada em Tóquio que teve dificuldade para acreditar no que havia acontecido justamente porque confiava nas pessoas responsáveis pela administração.
O mangaká também revelou que, quando o problema veio à tona, a situação financeira de suas empresas havia se tornado crítica.
Como o suposto desvio foi descoberto?
Segundo as informações divulgadas pela imprensa japonesa, o problema começou a ser identificado por volta de fevereiro de 2024 depois de uma observação feita pelo Departamento Regional de Tributação de Tóquio.
A partir daí, as movimentações financeiras passaram a ser investigadas com maior profundidade.
Kurumada e suas empresas alegam que o ex-gerente tinha controle amplo sobre a administração financeira e as relações com diferentes parceiros comerciais. Essa posição teria permitido que as movimentações ocorressem durante anos sem que fossem percebidas pelo próprio criador.
Caso afetou até uma exposição de Masami Kurumada
Uma das consequências reveladas por Kurumada atinge diretamente os fãs de sua obra.
O autor afirmou que a situação financeira provocada pelo caso foi responsável pelo cancelamento da grande exposição de originais prevista para acontecer em Roppongi Hills, em Tóquio, em 2024.
O evento faria parte das comemorações dos 50 anos de carreira do mangaká e reuniria trabalhos de diferentes períodos de sua trajetória.
Kurumada lamentou não ter conseguido realizar a exposição naquela ocasião e indicou que pretende finalmente concretizar o projeto na primavera japonesa de 2027, desta vez em Ikebukuro.
Se os planos forem confirmados, o evento permitirá recuperar uma celebração que acabou diretamente afetada pelo episódio agora levado à Justiça.
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Por que Cavaleiros do Zodíaco também faz parte da história do tokusatsu no Brasil?
Este tema ganha uma conexão especial com o público do tokusatsu justamente nesta semana. Em 1º de setembro de 2026, Cavaleiros do Zodíaco completou 32 anos desde sua estreia brasileira na Rede Manchete, ocorrida em 1º de setembro de 1994.
Naquele período, a televisão brasileira já possuía uma audiência acostumada a acompanhar produções japonesas de tokusatsu pela emissora.
Cybercop continuava aparecendo em reprises, enquanto O Winspector havia estreado em julho de 1994 e Patrine chegara à programação em agosto. Cavaleiros do Zodíaco entrou na grade em setembro, criando uma sequência especialmente forte de produções japonesas destinadas ao público infantil e juvenil.
O primeiro episódio de Cavaleiros foi exibido em 1º de setembro às 10h30 com reprise no final da tarde. O anime encontrou, portanto, uma parcela da audiência que já acompanhava heróis japoneses na Manchete.
O sucesso ajudou a ampliar o espaço para animações japonesas no Brasil. Nos anos seguintes, a emissora exibiria títulos como Shurato, Sailor Moon, Samurai Troopers e Yu Yu Hakusho.
Ao mesmo tempo, o tokusatsu não desapareceu. Kamen Rider Black RX, Solbrain e Super Human Samurai chegaram à televisão brasileira, enquanto produções históricas como Ultraman e National Kid voltaram através de reprises.
Essa convivência criou uma geração para a qual Cavaleiros do Zodíaco, animes e tokusatsu nunca foram universos completamente separados na memória afetiva. Eles compartilhavam horários, emissora, revistas especializadas e, principalmente, o mesmo público.
Quem acompanha a obra de Masami Kurumada também pode conferir a edição Saint Seiya Final Edition, versão especial do mangá original de Cavaleiros do Zodíaco.

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


