Krom, Sentinela do Espaço

Krom, Sentinela do Espaço: ufologia e tokusatsu brasileiro em Porto Alegre

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Krom, Sentinela do Espaço é uma produção brasileira de tokusatsu criada em Porto Alegre, e que segue uma linha bem clara: pegar a estética do gênero e amarrar isso com referências locais e com um tema que sempre chamou atenção do público, a ufologia.

Dentro dessa proposta, a série apresenta Krom como um sentinela espacial que cai na Terra, assume uma identidade humana e passa a cumprir uma missão que envolve inimigos infiltrados e uma ameaça chamada Essência Biológica Galáctica.

A ideia central é simples de entender, mas abre espaço para um tipo de narrativa que combina cotidiano e ficção científica sem precisar virar algo grandioso demais. A história se sustenta nessa dualidade: o protagonista precisa parecer “normal” enquanto carrega uma missão que não é nada normal.

Como a série Krom, Sentinela do Espaço se apresenta

Krom, Sentinela do Espaço é descrito como um exemplo de tokusatsu nacional inspirado em produções japonesas de super-heróis, mas adaptado com elementos locais. A produção foi criada em Porto Alegre e trabalha diretamente com lendas e temas ligados à ufologia.

No enredo, Krom é um alienígena que sofre um acidente no espaço e acaba caindo na Terra. A partir daí, ele precisa se integrar ao planeta e às pessoas para não chamar atenção. A solução é assumir uma identidade humana, chamada Leo, e levar uma vida que, na superfície, parece comum.

Só que o objetivo dele não é “virar humano por opção”, e sim cumprir uma missão. O material aponta que ele luta para proteger a Essência Biológica Galáctica contra o Império Zankar, que é tratado como uma ameaça central.

A série também destaca a trilha sonora como um ponto forte, com menção ao encerramento “Sentinela”, composto pela banda Gaijin Sentai. Isso reforça a intenção de criar uma obra que não depende apenas do visual ou do conceito de herói, mas tenta montar um pacote completo dentro do que o tokusatsu costuma entregar.

Queda na Terra, fraqueza e a construção do disfarce humano

O começo já joga o espectador direto na parte “espacial” do personagem. Krom está no espaço sideral perseguindo um inimigo quando sua nave é atingida. Esse impacto é o que provoca a queda na Terra e dá início ao resto do episódio.

Assim que chega ao planeta, o protagonista precisa tomar uma decisão imediata: assumir uma forma humana para passar desapercebido. A justificativa é direta e prática. Se ele permanecer em sua forma real, alienígena, ele não conseguiria circular normalmente.

Só que esse processo não acontece com ele em plena forma. Pelo contrário. O personagem chega debilitado, tanto pelo acidente quanto pela adaptação ao planeta. O ar, o ambiente e a própria transformação parecem pesar no corpo dele, o que é mostrado de forma bem clara quando ele caminha fraco, cambaleando pelas ruas.

Esse tipo de detalhe dá um peso interessante para o início, porque não coloca Krom como alguém que cai na Terra já pronto para lutar. Ele precisa se recompor, entender onde está e se ajustar.

É nesse ponto que entra um dos elementos mais marcantes da narrativa do episódio 1: o bar.

O personagem chega a um bar, e as pessoas que trabalham ali percebem que ele está mal. Elas convidam ele para sentar e beber algo para se recuperar. O dono do bar conversa com ele para entender de onde ele veio e o que está fazendo ali.

Krom responde que veio de fora, o que funciona como uma frase neutra o suficiente para não revelar nada e, ao mesmo tempo, não levantar suspeitas imediatas. E é aí que o dono do bar oferece um emprego e também um quarto no próprio bar, para que ele possa morar.

A partir desse momento, sua vida humana começa a ser construída. Ele passa a ter um lugar fixo, uma função e um ambiente onde pode observar e existir sem ser notado. E isso é muito coerente com a lógica do tokusatsu: o herói tem a “vida civil” e a “vida de combate”, e a história precisa equilibrar essas duas coisas.

Missão, telepatia e a primeira luta de Krom

Mesmo com esse abrigo e com a chance de “tocar a vida” como um humano comum, o primeiro episódio deixa claro que o personagem não está livre da missão. Ele recebe mensagens via telepatia do seu comandante, que reforça que ele precisa cumprir a tarefa na Terra: perseguir inimigos do espaço que estão infiltrados.

Essa escolha de comunicação telepática encaixa com o tema de ufologia citado no material de referência. Não é apenas um recurso prático para o roteiro, mas um elemento que conversa com o clima do que a série quer ser.

Em determinado momento, o comandante informa que existe um inimigo por perto. Krom então deixa o bar para localizar essa ameaça. Ele sai, encontra o inimigo e, nesse ponto, assume a forma de Sentinela do Espaço.

A transformação marca a virada do episódio, saindo do “disfarce e sobrevivência” para o “combate e missão”. A luta acontece e o episódio termina com essa batalha, encerrando o capítulo com a confirmação do que a série promete: existe um cotidiano, existe uma fachada humana, mas existe também um herói com um papel ativo contra forças inimigas.

Veja abaixo o primeiro episódio na íntegra.

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Porto Alegre, ufologia e a identidade do tokusatsu nacional

Um dos pontos mais fortes do material de referência é a definição do projeto como uma produção brasileira, criada em Porto Alegre, e com foco em temáticas de ufologia.

Isso já diferencia Krom, Sentinela do Espaço de muitas tentativas de “imitar” tokusatsu apenas pela estética. Aqui, existe uma escolha de tema que puxa para o imaginário de mistério, fenômenos e lendas, que combinam com a ideia de um alienígena vivendo entre humanos.

O que fica evidente no enredo é que Krom não chega à Terra como alguém que quer dominar o planeta ou virar celebridade. Ele cai por acidente, precisa sobreviver, se disfarçar e continuar perseguindo inimigos.

Essa lógica é eficiente para manter a narrativa em movimento sem precisar de grandes explicações no primeiro episódio. A história se apoia no básico:

  • um herói
  • um acidente
  • um disfarce
  • um local de apoio (o bar)
  • uma missão ativa
  • um inimigo
  • uma luta

E a partir disso o universo pode crescer, se o público quiser acompanhar.

O bar como ponto de virada: abrigo, rotina e fachada

O bar tem um papel central no episódio 1, porque ele não aparece só como cenário. Ele vira uma espécie de base do protagonista.

É ali que Krom é acolhido quando está fraco. É ali que ele consegue um emprego. E é ali que ele recebe a chance de existir como Leo.

Esse tipo de “ponto fixo” funciona muito bem em tokusatsu, porque cria uma rotina que contrasta com o combate. O público vê o herói tentando viver como alguém comum, mas sabe que aquilo pode ser interrompido a qualquer momento.

E isso acontece. O comandante entra em contato telepaticamente, e o herói precisa sair do bar para cumprir a missão.

Isso mostra que o bar serve para construir a parte humana do protagonista. Não é apenas um lugar onde ele para para beber. É o lugar onde ele se integra ao mundo.

Elenco e produção

Krom, Sentinela do Espaço reúne um time enxuto, com vários nomes acumulando funções importantes na criação e execução do projeto. A direção é assinada por Leonardo da Silveira Jacobina, enquanto Marcus Duprat aparece na direção de fotografia/operação de câmera, além de responder por edição/efeitos especiais e também pelo som, o que reforça o peso técnico da produção.

No argumento e roteiro, o projeto conta com Itur Amaral, Leonardo da Silveira Jacobina e Adriano de Oliveira Lopes, formando o núcleo criativo responsável por estruturar o universo da série e o andamento do episódio.

Por sinal, Adriano Lopes é também conhecido como Bone Lopes da Resistência Tokusatsu. Nas lives do canal é comum o tema do Krom tocar como uma espécie de esquenta antes da transmissão começar.

A parte de modelagem e animação 3D fica creditada a Demétrius, mostrando que a produção também trabalhou recursos digitais dentro da proposta do tokusatsu.

No elenco, Itur Amaral interpreta Krom e também Alex, enquanto Paulo Herculano Gomes Neto assina o papel de Leo. Já Adriano de Oliveira Lopes aparece como UBC #1 e também como Artur, e Leonardo da Silveira Jacobina interpreta UBC #2, Marcos, UBC Avançado e Ispaier (abertura). Mônica Löff completa o núcleo principal com Cristiane.

O episódio ainda credita figurantes no “bar do Alex”, com Max Lopes, Matheus de Oliveira, Igor Luan e William Silveira, ajudando a compor a ambientação da história.

No figurino, aparecem Itur Amaral, Leonardo da Silveira Jacobina e Paulo Herculano Gomes Neto, reforçando o trabalho coletivo na construção do visual. A equipe de apoio inclui ainda Rodrigo Sebben e Eder Silveira, além dos nomes centrais já citados.

A trilha sonora como destaque do projeto

A trilha sonora tem um ponto forte, com destaque para o encerramento “Sentinela”, composto pela banda Gaijin Sentai, assim como “A última estrela” de Radio Clock.

Em tokusatsu, trilha sonora costuma ser parte do “clima” da série. Mesmo quando o orçamento é menor, uma música bem colocada pode dar mais identidade e fazer o projeto parecer maior do que ele é em termos de produção.

No fim das contas, Krom, Sentinela do Espaço é aquele tipo de obra que mostra como o tokusatsu nacional consegue existir com personalidade, misturando o que é clássico no formato com elementos locais e um tema que encaixa perfeitamente com a proposta: ufologia, mistério e um herói que não pode chamar atenção… mas precisa lutar mesmo assim.

E se você se interesse em conhecer mais heróis nacionais de tokusatsu, confira abaixo o conteúdo que produzimos sobre o tema.

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