B-Fighter Kabuto: conheça a sequência final dos heróis em forma de inseto
Se você curte Metal Heroes com armaduras brilhando sob holofotes, golpes batizados em voz alta e uma mitologia que mistura ciência com “deuses” mecânicos, B-Fighter Kabuto é aquela série que você precisa revisitar.
Lançada entre 3 de março de 1996 e 16 de fevereiro de 1997, a série da Toei levou adiante a proposta de Juukou B-Fighter e a empacotou com uma estética mais direta ao ponto, pensada para falar sem rodeios com o público jovem. Já no primeiro episódio, a narrativa retoma o mundo após a queda de Jamahl e estabelece o retorno da ameaça, a ascensão da Cosmo Academia e a escolha de novos portadores da Neo Insect Armor. E aqui está a palavra-chave que guia todo este texto: B-Fighter Kabuto.
O pano de fundo: a paz antes da tempestade
A Earth Academia evolui para Cosmo Academia, uma organização científico-militar que pesquisa, previne e reage a novas ameaças globais. É ali que Takuya Kai (o Blue Beet original) trabalha no desenvolvimento da Neo Insect Armor ao lado do ancião Sage Guru. O plano é simples: se outra força invadir a Terra, haverá uma nova linhagem de B-Fighters pronta para responder.
O despertar da tribo Melzard
É do fundo do mar que o perigo ressurge: uma fenda oceânica revela uma fortaleza voadora pertencente à tribo Melzard, um clã antiquíssimo que repousou por milênios e quer erradicar a humanidade. Mother Melzard, a matriarca, envia os filhos Raija (guerreiro dinossauro da terra) e Dezzle (homem-peixe das profundezas) para iniciar a investida.
Em algumas versões, a ofensiva inclui a besta mamute Elebam(m)oth, com ordem de congelar o planeta. A reação? Incorporar Poder do Inseto às novas armaduras e buscar três hospedeiros dignos
Nasce um trio: os novos B-Fighters

Diante desse cenário, surgem os mais novos heróis.
O escolhido improvável: Kouhei Toba / B-Fighter Kabuto
Kouhei Toba, 17 anos, atleta nato e praticante de artes marciais, é aquele protagonista de ensino médio que não foge da briga quando vê a irmã Yui em perigo. Em meio ao caos, o Command Voicer remanescente literalmente encontra a mão de Kouhei, selando sua escolha como B-Fighter Kabuto — a armadura inspirada no besouro-rinoceronte.
É o único capaz de empunhar o Astral Saber e comandar o gigante Kabuterios. O estilo de luta de Kabuto favorece controle de fogo e armamento pesado; sua Kabuto Lancer executa finalizações como Liner Blast e Cavalier Lancer.
O mais sério do grupo: Kengo Tachibana / B-Fighter Kuwagar
Kengo, 22 anos, investigador ambiental e artista marcial de bom nível, abre a série com uma pulga atrás da orelha: por que o posto principal não foi dele? A fricção com Kouhei cede lugar ao respeito. Sua armadura é a da vaca-loura (stag beetle) e, no fim, chega a manejar o Geist Axe e controlar o Kuwaga Titan, contrariando seu passado sob o comando de vilões. A arma de assinatura é a Kuwagar Chopper, com a finalização Gravity Crush.
A engenheira veloz: Ran Ayukawa / B-Fighter Tentou
Ran, 18 anos, é especialista em computação e ciberengenharia. A armadura modelada na joaninha compensa menor potência bruta com análise, busca de vulnerabilidades e agilidade. No arsenal, a Tentou Spear rende golpes como Crossway Slicer. Ran também protagoniza interações que aproximam tecnologia e natureza — um tema recorrente quando cruza caminho com Julio Rivera.
Armamento e cartas: a gramática do combate

Vejamos agora com quais equipamentos o trio combate o mal.
Sidearms e cartas de efeito
Os três carregam Input Cardguns, pistolas moduladas por Input Cards que liberam efeitos distintos: Attack Beam, Fire Beam, Jamming Beam, Needle Laser, Cement Beam, Cold Beam e Tornado Shower. Esse sistema vira a espinha dorsal de mecânicas táticas: paralisar, congelar, selar, cegar e abrir janela para finalizações.
Finish Weapons
Cada titular dispõe de uma Finish Weapon:
- Kabuto Lancer (Kabuto) — com Electric Shockwaves combinadas e as já citadas finalizações;
- Kuwagar Chopper (Kuwagar) — gancho com poder de corte e arremesso, finalizado no Gravity Crush;
- Tentou Spear (Tentou) — lança com Crossway Slicer.
Quando cruzadas (duas ou três), essas armas disparam ondas elétricas devastadoras.
Beet Arms e o canhão supremo
Com a chegada de aliados internacionais, o trio recebe as Beet Arms — módulos que se encaixam às Cardguns: Tonbou-Gun (acelera feixes), Bright Pointer (flash, manutenção e barreiras) e Semission Magazine (cartucho com Nature Energy Cards de fogo, água, luz, trovão, tempestade e terra).
Em conjunto, esses três integram o Input Rifle, arma mais poderosa do arsenal de campo, usualmente empunhada por Kabuto para disparar o Kabutonic Buster. Houve também o Kuwagatic Buster, quando Kuwagar, Yanma e Min combinaram forças.
Escala aumenta: máquinas, estrada e deuses

A batalha ficou maior? Veja com que contam os nossos heróis!
Road Beetles e Neo Beet Machines
O transporte tático do trio são os Road Beetles (Road Kabuto, Road Kuwagar, Road Tentou). A escalada de poder chega com as Neo Beet Machines:
- Kabutron (6 rodas, voo em Flight Mode, golpe Horn Thruster e tiro Kabuto Shooter),
- Kuwaga Tank (tanque com garras lançáveis e Kuwagar Cannon),
- Stealth Gyro (aeronave que também faz transporte conjunto de Kabutron e Kuwaga Tank).
Elas partem da Beetle Base, o quartel da Cosmo Academia no Japão, que mais tarde é sabotado pelos inimigos próximos ao final.
Shell Gods: Kabuterios e Kuwaga Titan
Dois Shell Gods — Kabuterios (ouro e preto) e Kuwaga Titan (verde e preto) — são entidades robóticas colossais. Kabuterios reside no Astral Saber até ser evocado por Kabuto; luta com Shell God Sword, Big Flare e Terios Flash. Kuwaga Titan emerge do Geist Axe; ainda que use “Evil” no título, não é intrinsecamente maligno. Em momentos decisivos, luta ao lado de Kabuterios. No fim, com a fusão dos Insect Commanders ao Geist Axe, Kuwagar pode usar o Titan “pelo bem”.
O reforço internacional: quatro novos B-Fighters

Outros membros vieram de diversas partes do mundo. Conheça-os abaixo.
Mac Windy / B-Fighter Yanma — o vento
Vindouro da sede de Nova York, o extrovertido Mac Windy chega como aluno de intercâmbio, rivalizando com Kouhei até revelar a identidade. Yanma veste armadura de libélula e solta técnicas como Dragon Flying e Spinning Bomber. Ele entrega o Tonbou-Gun ao grupo e retorna para os EUA em determinados pontos.
Julio Rivera / B-Fighter Genji — a luz
Do ramo sul-americano da Cosmo Academia, Julio Rivera é arqueólogo peruano, associado à natureza e a uma flauta de cana com “poder estranho”. Genji, modelado em vaga-lume, usa o Lightning Cannon com ataque Max Flasher. Sua relação com Ran é central para reconciliar técnica e mundo natural.
Li Wen / B-Fighter Min — o som
Professor de Pequim, Li Wen representa a aversão à guerra como fim. Min veste armadura de cigarra e alterna Sonic Pressure, Laser Arrow e as Ringer Swords (vibração em escala altíssima). É dele a entrega da Semission Magazine que habilita o Input Rifle.
Sophie Villeneuve / B-Fighter Ageha — as flores
Violinista prodígio de Paris, Sophie é escolhida pela medalha da borboleta para se tornar Ageha. Sua canção é capaz de despertar o Astral Saber. Em combate, opera o Bloom Cannon com Beam Shower e Maxim Blast. Tem sentimentos por Kouhei e atua como gatilho musical-místico em pontos-chave.
Convergência dramática: esses quatro consomem boa parte de seus poderes para destruir um cristal que disparava detonadores implantados em humanos por Mother Melzard. No final, seus Insect Commanders fundem-se ao Geist Axe, permitindo a posse definitiva por Kuwagar.
Antagonistas: Melzard, generais e armadilhas

Hora de conferir os vilões da série.
A estrutura Melzard
Mother Melzard dá vida a monstros a partir de fósseis ingeridos, em um método quase “bioalquímico”. Ela coordena Raija (terra) e Dezzle (mar), que por vezes competem entre si — sabotagem, ressentimentos e alternância de poder compõem o drama interno.
Há ainda oficiais como Miolra (espadachim insetoide) e Dord (cabeça de amonita), e as tropas Bodyguards (variações fósseis de terra e mar). Os veículos Gidorbas alternam formas de tanque-verme e caças aéreos Fly Gidorbas.
B-Crushers: a elite das trevas
Na metade para frente, surgem os B-Crushers — armaduras alimentadas por Insect Medals de escorpião, centopeia, louva-a-deus e vespa recuperadas pelos vilões.
- Descorpion (escorpião) é um guerreiro honrado, rival de Raija, que empunha garras envenenadas e chega a portar o Geist Axe.
- Mukadelinger (centopeia) é frio, com bomba no peito e controle mental com pernas-centopeia.
- Killmantis (louva-a-deus) é especialista em lâminas, força de corte absurda.
- Beezack (vespa) usa disfarces e ilusões, arma Hardoc Shocker.
Em certo momento, o quarteto tem vantagem sobre o trio até a chegada de Yanma abrir espaço à virada. Mais tarde, parte dessa força se sacrifica em incursões suicidas contra as Neo Beet Machines.
Monstros por tema e episódios
A série desfila um bestiário longo, nascido de fósseis específicos:
- Elebammoth (mamute);
- Dinozaura (tiranossauro de três cabeças);
- Mogerado (toupeira);
- Baeria (formiga);
- Zyren (morcego);
- Dorafire (smilodon);
- Groba (samambaia);
- Pineappler (sim, abacaxi fossilizado como criatura-calor);
- Zarst (ave de calor);
- Gameleorda (camaleão);
- Zazanyoda (trilobita);
- Gamegeron (archelon);
- Hitodenajiru (estrela-do-mar que possui pessoas);
- Coelaganza (celacanto);
- Isogilala (anêmona);
- Kaizazora (escorpião-marinho);
- Kapparapa (kappa);
- Okozezeze (peixe-leão);
- Zanshoror (amphibamus com invocação de espíritos);
- combinações como Nezugaira (rato de caverna + molusco);
- Arajibiray (porco-espinho + arraia);
- Tokasuzura (peixe-espada + toupeira + camaleão);
- e figuras sem origem detalhada como Misty Horn (unicórnio) e Zadan (demônio) — todos listados com desfechos e fraquezas pontuais nas referências.
Produção, estética e recepção dentro do universo Metal Hero
Como 15ª entrada da Metal Hero Series, a obra simplifica formas: sai a assimetria carregada de mecânica dos trajes anteriores; entra um design mais “heróico” e limpo. A galeria de inimigos é descrita como implacável, sem traços de humanidade, ao contrário de antagonistas do passado. A nomenclatura de armas usa vocabulário japonês para facilitar compreensão das crianças, marcando um foco ainda mais forte no público de menor idade.
Continuidade, ritmo e reforço do elenco
A partir da metade, a série traz de volta os B-Fighters de primeira geração (Blue Beet, G-Stag, Reddle) e amplia o tabuleiro com os novos guerreiros de cada país, culminando em “guerra de insetos” que a equipe de produção originalmente pretendia explorar por três anos de franquia. Comercialmente, o desempenho ficou aquém do anterior, levando a uma guinada de rota na obra seguinte.
Técnica e transmissão
Há registros de adoção de nega telecine e mudança de playout para D-2 digital a partir do episódio 7, alinhados ao período de exibição de Gekisou Sentai Carranger em termos técnicos. Abertura e encerramento ganharam transmissão em estéreo nesses segmentos. No Japão, VHS (1997-1998) e, depois, DVD (2006-2007) saíram em volumes, com organização por lotes de episódios. Em mercados como Filipinas e Tailândia, houve dublagens e lançamentos locais com títulos próprios.
Personagens de apoio e conexões
Professor Masaru Osanai lidera a filial japonesa da Cosmo Academia e sofre na pele as sabotagens Melzard.
Yui Toba, irmã de Kouhei, serve de ponte cômica e dramática, inclusive sendo alvo de feitiço que a coloca numa armadura floral.
Artificial Life Bit, inteligência artificial da Beetle Base, auxilia com alertas e análise de dados, inclusive migrando para terminal portátil durante crises.
Sage Guru cumpre papel de mentor — e sua morte, tentando conter a “onda escura” de Dargriffon, é ponto de inflexão emocional.
Até o Extradimensional Supplier Kabuto, filho do Guru, aparece no epílogo, assumindo propósito após visitar o túmulo.
Música: assinatura de Nobuhiko Kashiwara
A abertura “B-Fighter Kabuto” (letra de Yoko Aki, composição de Ryudo Uzaki, arranjo de Eiji Kawamura, voz de Nobuhiko Kashiwara) define o pulso da série — inclusive aparecendo como encerramento no episódio 50. O encerramento corrente é “Ōgoe de Utaeba”, com o mesmo time criativo. A trilha cumpre o papel clássico do gênero: costurar transformação, golpe e vitória com refrões que grudam.
Por que vale a pena ver B-Fighter Kabuto hoje?
A coerência visual é um dos pontos fortes de B-Fighter Kabuto. O design das armaduras segue um estilo mais limpo e heróico, permitindo uma leitura imediata de cada arma e de como cada movimento funciona, sem excesso de detalhes que poderiam confundir o espectador.
Outro aspecto interessante é a mitologia prática que a série apresenta. As Insect Medals e os Shell Gods criam uma ponte entre elementos mágicos e a engenharia, resultando em uma narrativa que mistura tecnologia com conceitos quase místicos de maneira clara e divertida.
A internacionalização também merece destaque. A chegada de personagens como Yanma, Genji, Min e Ageha amplia o elenco e insere sotaques, músicas, truques e equipamentos que enriquecem a dinâmica do trio principal, tornando a história mais diversa e global.
No campo dos antagonistas, há o drama interno entre Raija e Dezzle, que não se limitam ao papel de simples capatazes. Eles competem entre si, desafiam a liderança e mudam constantemente o equilíbrio da trama, trazendo complexidade às ameaças enfrentadas pelos heróis.
Por fim, a série estabelece uma ponte importante com o passado. A participação dos B-Fighters originais confere peso histórico e encerra ciclos narrativos abertos em Juukou B-Fighter, reforçando a sensação de continuidade dentro da franquia.
Aliás, quer saber como foi a celebração de 30 anos de B-Fighter? Clique aqui para conferir!

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.



