The Last Samurai

A beleza oculta de O Último Samurai: uma análise da trilha sonora de Hans Zimmer

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A música sempre teve um papel fundamental em transportar os espectadores para mundos épicos, algo que todo fã de tokusatsu conhece muito bem ao ouvir os primeiros acordes de uma grande transformação ou de uma batalha inesquecível. Quando se trata da cultura japonesa e da figura honrada dos samurais, o impacto de uma boa trilha sonora pode transformar completamente a experiência visual em algo lendário. É o caso de The Last Samurai.

Na resenha a seguir, analisamos de perto a trilha sonora de um dos longas mais marcantes sobre a transição do Japão Feudal para a era moderna, destacando como os arranjos musicais ajudam a resgatar a essência e a tradição dos guerreiros de época.

ORIGINAL SOUNDTRACK MOTION THE LAST SAMURAI ©2003 CD: 755962932-2

Análise técnica e musical da trilha em CD lançada pela Warner Bros Record

Contexto da obra e a proposta da trilha sonora

O cinema mundial é rico em trilhas sonoras. São muitas as que podemos tirar grandes proveitos. Muitas são marcantes para o grande público, como Tubarão, Psicose, Star Wars, Jurassic Park, ET e etc. Mas outras só são notáveis se prestarmos a atenção na mensagem que o filme queira passar, aliada a cenas que ficam marcadas.

Em O Último Samurai (The Last Samurai) vimos exatamente isso. Uma trilha sonora de Hans Zimmer que deixou o filme envolvente. Zimmer já estava acostumado com filmes hollywoodianos que citam o Japão de alguma forma (como vimos, por exemplo, na bela trilha de Pearl Habor). Só que Zimmer precisou recorrer a métodos tradicionais para compor essa trilha em especial.

Ao contrário de Pearl Habor, por exemplo, que retrata o Japão como vilão que foi na Segunda Grande Guerra, aqui ele precisaria inverter a posição. Para quem assistiu O Último Samurai, o grande vilão do filme é o Japão Ocidentalizado contra o Japão Tradicional, que estava sucumbindo a esse processo de Ocidentalização.

O choque entre a tradição e a modernidade

Trabalhar com o tradicional e o moderno precisou de todo o tato possível. Afinal, o Japão é um império milenar. O Japão da Era Edo era diferente do Japão da Era Meiji. O motim principal está na transição da Era Edo para a Era Meiji. E Zimmer trabalhou com todo o cuidado para que a imagem da transição fosse possível pelas cenas e pela música.

O filme tem quase 3 horas de duração. Mas a trilha sonora está presente apenas em 59 minutos do filme e é isso que encontramos no CD da trilha sonora do filme. O compositor nos premiou com uma das trilhas mais belas da história do cinema de Hollywood, mesmo que não seja tão reconhecida de grande público e nem premiada como uma trilha do naipe de Tubarão e Jurassic Park.

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Mas é uma trilha que, para quem gosta de trilhas instrumentais de cinema, se vê envolvido pela música. Zimmer orquestrou perfeitamente a trilha sonora para um tipo de filme que flerta pela contemplação visual e sonora. Afinal, o filme é rico em belas paisagens pitorescas do Japão Feudal e o resgate do tradicional é essencial para a ambientação. Seria ilógico usar umas músicas de arranjos modernos num filme que retrata a decadência da temida classe guerreira do Japão.

A fusão entre o ocidental e o tradicional japonês

Os arranjos de Zimmer flertam entre o sinfônico e o gagaku (música clássica japonesa). Claro que a predominância de instrumentos ocidentais é gigante na trilha. Mas em algumas faixas, encontramos elementos tradicionais japoneses, como na presença de taikô (os tambores japoneses, muitos presentes em trilhas de filmes que retratam o Japão, como Sol Nascente, de 1993).

A ideia é usar a trilha como meditação. Afinal, como dito acima, o filme é contemplativo e era coerente que sua trilha também fosse contemplativa. O gagaku apresentado na trilha de O Último Samurai tem elementos ocidentais, mas sem perder a essência japonesa. E isso torna a trilha especial para quem gosta de gagaku. A orquestra sinfônica foi bem conduzida e o maestro levou para o CD um misto entre Ocidente e Oriente.

Estrutura do álbum e destaques

São 11 faixas no total, distribuídas em 59 minutos. Os nomes das faixas representam as cenas do filme em que a música é tocada. Tem músicas curtas com menos de 2 minutos de duração como a faixa 08 Ronin e têm músicas com mais de 8 minutos de duração, como a faixa 01 A Way of Life.

Minhas faixas favoritas são a 04 e a 05 (A Heard Teacher e To Know My Enemy), onde vemos uma faixa dividida em duas. Nessas duas faixas específicas, encontramos a mistura perfeita entre a cultura zen e o agito da guerra entre o Ocidente e Oriente.

Conclusão

O Último Samurai não é uma trilha marcante para a história do cinema mundial, mas ela é de uma beleza ímpar para quem aprecia música instrumental e arranjos que deixam a ambientação perfeita. Para quem assistiu o filme e escutar a trilha em seguida, a imersão no universo dos samurais é maior.

Para os nikkeis que gostam de gagaku, talvez gostem do arranjo da trilha desse filme. Mesmo composta por um músico ocidental, a trilha resgata momentos da vida do Japão da Era Meiji e uma viagem no tempo.

Uma trilha desse naipe não deve ser desperdiçada para quem aprecia esse tipo de música. Uma viagem no tempo é permitida para quem houve as músicas desse CD. Enfim, uma das melhores trilhas que já ouvi.

Quer ver mais análises como esta? Se você curte esse tipo de imersão sonora e gosta de acompanhar resenhas detalhadas sobre o universo oriental e cinematográfico, convido você a conferir outras resenhas minhas aqui no Toku Blog. Tem bastante conteúdo para quem é fã de verdade!

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