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Samurai Assassino: política, honra e família no fim dos samurais

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Quem acompanha tokusatsu sabe que muitos heróis vivem divididos entre honra, dever e laços familiares. Quantas vezes vimos guerreiros mascarados enfrentando dilemas internos enquanto o mundo ao redor mudava drasticamente?

Antes mesmo dos supersentai e heróis metálicos, o cinema japonês já explorava esses conflitos em profundidade. E poucos filmes traduzem tão bem essa tensão quanto Samurai Assassino, uma obra que mistura política, ambição e drama familiar no fim da era dos samurais.

Samurai assassino de pessoas que planejam fechar o Japão aos estrangeiros

Okamoto foi um diretor japonês que se especializou em tramas de samurais e de filmes sobre a Segunda Guerra. Numa época em que o Japão estava recuperando o fôlego e a admiração por suas figuras heroicas, Okamoto tinha uma mina de ouro em mãos ao retratar como seria a vida do passado dos heróis japoneses.

E a novela de Gunji Jiromasu tinha tudo que uma trama de época pedia para ser apresentado nas telas. Coube à roteirista Hatsumoto Shinobu adaptar todo o universo proposto pela novela de Jiromasu.

E o que vimos aqui foi uma direção precisa de Okamoto para uma trama que tinha tudo para ser mais uma “história de samurai” ao léu, mas que soube se destacar.

A família acima da honra?

A trama visa mostrar o lado familiar dos samurais. Geralmente, a figura do Ronin nas histórias japonesas é de que eram guerreiros sem laço familiar. Primeiro sempre vem a honra e a submissão aos superiores, depois os laços familiares. Nessa trama, acontece o inverso.

E se um Ronin tivesse uma ambição de ter uma família em primeiro lugar? Foi com essa premissa que surgiu a ideia de Jiromasu para essa novela. Mas, para ter uma família, um Ronin precisava de um emprego e um senhor.

E foi assim que surgiu a ideia de se criar uma novela com foco na família, mas sem deixar a ambição do ronin de ser um guerreiro reconhecido por causa de status.

Niiro e a inveja motivadora

Niiro foi um ronin que viu em um amigo a importância de termos um guerreiro apegado à família. Kurihara foi o exemplo de guerreiro bem sucedido que tinha esposa e filho para cuidar.

E isso despertou o pecado da Inveja de Niiro. Mas não uma inveja negativa. Uma inveja motivadora, que fez com que Niiro tivesse o desejo ardente de ter uma família para chamar de sua.

Mas esse lado da Inveja foi aos poucos deixando de ser positivo. A história culmina num clímax atípico, fazendo com que Niiro cometa outros pecados mais graves por causa da Inveja.

Contexto político e a Era Meiji

Além da trama familiar, temos a questão política. A história se passa no embrião da Era Meiji, quando o Japão abre os portos para os estrangeiros.

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O tempo todo se fala do período onde é predito o fim dos samurais. Retratar o fim do Shogunato exigiu cuidado especial do diretor e da roteirista. Ainda mais tratando de um evento real: a emboscada de Sakuradamon.

O filme misturou ficção e realidade com maestria. E ao inserir o fator família nesse contexto, a narrativa ganhou ainda mais profundidade.

Trilha sonora e fotografia

O filme contou com a trilha sonora de Masaru Sato. O compositor deixou de lado influências ocidentais e flertou com o min’yo e o Kabuki. Isso deixou o clima charmoso e envolvente.

A fotografia de Hiroshi Murai também merece destaque. A direção de arte foi minuciosa, garantindo imersão total no Japão da Restauração Meiji.

As cenas de combate

O filme está repleto de cenas de luta bem coreografadas. O combate final é considerado por muitos críticos uma das cenas mais caprichadas do cinema chambara. Há uma mistura de drama e sadismo.

O mistério do filme não é revelado ao protagonista, mas apenas ao espectador. Elementos da natureza se misturam ao sangue das vítimas. O cenário transforma os combates em algo quase poético.

Personagens femininas

Vale ressaltar a importância de personagens femininos nesse filme. Quatro mulheres ganham destaque e relevância na trama.

Geralmente, a figura feminina em filmes assim é irrelevante. Mas aqui, Okamoto deu importância central a uma das personagens, que se torna o vão central do roteiro.

Toshiro Mifune como Niiro

O principal destaque é Niiro Tsuruchiyo, interpretado por Toshiro Mifune. O caráter ambíguo do personagem é retratado com maestria. Diferente de papéis como Sanjuro ou Yojimbo, aqui o passado atormenta o protagonista. Niiro é maltrapilho e sem recursos.

Kurihara é bem sucedido e com família. Mas ambos compartilham o ideal de perfeição familiar. A interação entre Mifune e Kobayashi Keiju é sólida. O filme força o protagonismo de Mifune, mas mostra que não existe protagonismo absoluto.

Considerações finais

Samurai Assassino é um filme que reúne o melhor do chambara. Boas lutas, reconstituição de época e profundidade dramática. É um filme que fala sobre construir um lar para conforto emocional. Mesmo que isso custe status. Okamoto se saiu bem e se consolidou como um dos grandes do gênero.

Se você gosta de análises que conectam cinema clássico japonês com o espírito que também moldou o tokusatsu, eu te convido a conferir as outras resenhas aqui no Toku Blog. Sempre tem mais história, cultura e crítica esperando por você.

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