Kogarashi Monjirou

Kogarashi Monjirou: o samurai humano que conquistou o Japão

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Quem cresceu assistindo tokusatsu sabe que muitos heróis carregam cicatrizes do passado. Espadachins errantes, justiceiros solitários e guerreiros que vagam pelo Japão feudal são figuras recorrentes tanto nas séries live-action quanto nos mangás históricos.

E se existe um arquétipo que dialoga diretamente com esse tipo de personagem, é o do samurai andarilho. Kogarashi Monjirou é exatamente isso: um espadachim marcado pelo passado, caminhando por estradas frias enquanto carrega sua própria forma de justiça.

Kogarashi Monjirou: as andanças de um exímio espadachim para vingar seu passado

Saho Sasazawa foi um prolífico escritor de muitas obras no Japão. Como de praxe de autores consagrados da época, sua especialidade eram jidageiki (estórias que retratam o Japão Feudal).

Claro que o autor conseguiu escrever histórias que retratassem o Japão Contemporâneo, como a famosa Meu Amor de Longa Data (Haruka Nari Waga Ai O, de 1976).

Mas como dito, sua especialidade eram as estórias de samurais. Afinal, estórias de samurais eram o que vendiam em abundância para o público adulto da época, principalmente quando era majoritariamente masculino.

A obra mais famosa de Sasazawa

De muitas histórias de samurais que Saho Sasazawa escreveu, Kogarashi Monjirou foi sua obra mais famosa. O sucesso foi tão grande que a obra virou novelas de época, filmes e mangás.

E é óbvio que a obra ganharia uma adaptação sublime num mangá desenhado por ninguém menos que Goseki Kojima, o mesmo desenhista de Lobo Solitário.

O resultado aqui é uma obra esteticamente bela e que deixa o leitor imersivo nas paisagens bem desenhadas do artista.

A arte de Goseki Kojima

Kojima soube trabalhar com maestria ao adaptar a história de Sasazawa. O resultado é uma obra que flerta para o lirismo e que quis mostrar um Japão Feudal com uma visão romântica. E isso a obra me ganhou.

Para começar, Sasazawa nos apresentou um pouco do passado do protagonista. O mangá foi feito para ter apenas um volume, e Kojima soube aproveitar cada espaço proposto para exaltar a obra de Sasazawa.

Um ponto relevante é que o artista, que recusava usar bico de pena, utilizou o nada convencional pincel para as nuances dos personagens.

Percebi aqui um capricho da parte de Kojima superior ao que ele fez em Lobo Solitário. Talvez porque o protagonista de Sasazawa seja mais humano e sensível.

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Um samurai com compaixão

Kogarashi possui sentimentos. Não matava à toa. Ele tinha compaixão e empatia pelos coadjuvantes que encontrou. E não só pelos personagens humanos, mas também pelos animais.

A imagem criada por Sasazawa foi uma visão romântica dos samurais. O autor não quis mostrar um samurai impiedoso e cruel, como muitas produções retratam. Mostrar o passado do protagonista e o que o levou a agir assim enriquece a narrativa.

Estrutura e narrativa

O mangá foi dividido em 4 capítulos. Aparentemente, são capítulos sem conexão entre si. Mas há detalhes quase imperceptíveis que mostram que todos estão ligados ao passado do protagonista.

Há começo, meio e fim bem definidos, evitando que a história se alongue demais. Sasazawa soube criar um roteiro com final coerente e sem complexidade excessiva. Isso deu liberdade para que Kojima trabalhasse sua arte com excelência.

Violência equilibrada

Apesar de belas cenas de luta e algumas mortes, a violência aqui é mais amenizada do que em outras obras do desenhista. Histórias de samurais sem combate não funcionariam.

Mas o propósito aqui não foi apresentar “gore”. Há lutas, mas com equilíbrio. Claro que Kojima pesa a mão em certos cortes, algo característico de seu traço. Mas é visivelmente mais contido que em outras obras.

Ambientação e imersão

Ao contrário de A Lenda de Musashi, também desenhada por Kojima, aqui temos cenários ricos em detalhes. Detalhes tão belos que fazem o leitor se sentir imerso nas páginas.

O universo criado por Sasazawa deixou a ambientação perfeita. Ler a obra ouvindo min’yo (músicas folclóricas tradicionais japonesas) torna a experiência ainda mais imersiva.

Pequena ressalva

Não encontrei defeitos aparentes, a não ser a falta de “diversidade” nos personagens femininos. Não no sentido moderno da palavra, mas na diferença visual entre elas.

Em cada capítulo, parece que foi usado o mesmo modelo de rosto. Tive dificuldades em discernir quem era quem. Mas é um detalhe pequeno que não compromete a obra.

Considerações finais

Kogarashi Monjirou é uma obra que deve ultrapassar gerações. É rica em detalhes e ambientação. O leitor fica absorto e não consegue parar de ler.

Ganhamos cultura e percebemos que os samurais podiam ter um lado humano e compassivo. Estou doido para mais lançamentos de Sasazawa no Brasil, seja desenhado por Kojima ou por outros artistas. E se forem histórias de samurai, melhor ainda.

Se você curte resenhas de mangás históricos, samurais e obras que dialogam com o espírito que também inspira o tokusatsu, eu te convido a conferir as outras análises aqui no Toku Blog. Sempre tem mais cultura japonesa esperando por você.

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