Kenpachiro Satsuma

Dublê do Godzilla ganha homenagem tocante em sua cidade natal

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Kenpachiro Satsuma pode ter deixado os palcos e sets de filmagem em 2023, mas a presença dele continua ecoando por onde o tokusatsu é lembrado com carinho. Em sua cidade natal, Izumi, no Japão, o legado do lendário dublê que deu vida a Godzilla por mais de uma década voltou para casa em forma de livro — e não só para ser guardado, mas para ser lido por novas gerações.

Um retorno simbólico ao lar

Conforme informou o Yahoo Japan, a escola onde tudo começou, a Ena Junior High School, foi palco de uma cerimônia simples, mas carregada de emoção. Alunos, professores e autoridades locais receberam com orgulho a obra “Sou ator: Sou conhecido como Suit-Actor há 30 anos”. O livro, escrito pelo próprio Satsuma, traz histórias dos bastidores das gravações, memórias de infância e reflexões sobre o ofício de viver por trás de uma fantasia.

Quem trouxe a obra de volta para Izumi foi Rui Gatayama, discípulo e amigo próximo do ator. Hoje com 39 anos, Gatayama — que adotou o nome artístico Daigo Satsuma em homenagem ao mestre — decidiu que era hora do material alcançar quem mais poderia se inspirar com ele: os jovens da cidade onde Kenpachiro nasceu.

Muito além do rugido

Satsuma não era apenas um dublê ou alguém dentro de um traje pesado. Ele foi um intérprete completo. Entre 1984 e 1995, deu corpo, alma e postura a sete filmes da fase Heisei da franquia Godzilla. Sua forma de movimentar o monstro ficou conhecida como “Satsuma Godzilla”, marcada por um estilo firme, centrado e inspirado no kenjutsu tradicional da região de Kagoshima.

Mas sua carreira não se limitou ao lagartão radioativo. Satsuma também esteve presente em séries como O Regresso de Ultraman e Thunder Mask, além de filmes como Profecias de Nostradamus e G.I. Samurai. Cada papel era assumido com seriedade e entrega, características que ele cultivava desde os tempos em que trabalhava numa siderúrgica antes de ingressar no mundo do entretenimento.

Um presente para o futuro

A distribuição do livro não ficou restrita à antiga escola. Vinte e três exemplares foram doados para bibliotecas e escolas públicas da região de Izumi. Duas dessas cópias, com dedicatória assinada por Satsuma, foram entregues especificamente à Ena Junior High School e à Ena Elementary School, fortalecendo o elo entre o ator e sua terra natal.

A iniciativa tem um objetivo claro: preservar a memória de um artista que, mesmo escondido atrás de uma fantasia, ajudou a formar o imaginário de gerações inteiras. O próprio Gatayama disse durante a cerimônia que Satsuma representava o Japão diante do mundo — e fazia isso com orgulho e respeito pelas suas origens.

Herói silencioso

Ao longo da vida, Satsuma não buscou os holofotes. Seu reconhecimento veio através do impacto que causava nos bastidores, no set e nos corações dos fãs. É raro que um suit actor receba tanto destaque quanto os atores de rosto descoberto. Ainda assim, Satsuma se tornou um nome conhecido entre os fãs mais atentos de tokusatsu e kaiju eiga.

O livro, publicado originalmente em 2004, agora ressurge como uma espécie de “testamento cultural”, não apenas sobre a história dos filmes em que participou, mas também sobre o esforço físico, emocional e artístico de viver dentro de um personagem icônico.

Inspiração que atravessa gerações

Para os professores das escolas beneficiadas com os livros, a obra é um convite à reflexão. A ideia de que há “drama na vida”, como o próprio Satsuma escreveu, ajuda os alunos a entender que nem sempre é preciso ser protagonista para deixar uma marca. Às vezes, o verdadeiro impacto está na dedicação, no silêncio e na força interior.

A diretora da Ena Junior High School destacou que a história de vida de Satsuma é uma lição sobre disciplina e humildade. Já o diretor da Ena Elementary School acredita que a presença do ator nas páginas de um livro pode ajudar os pequenos a sonhar com futuros que vão muito além da sala de aula.

A despedida que vira reencontro

A morte de Kenpachiro Satsuma em dezembro de 2023 fechou um ciclo. Mas o gesto de seu discípulo ao doar os livros mostra que esse ciclo não se encerra de fato — ele continua girando, agora nas mãos de jovens leitores que talvez nunca tenham visto um filme da era Heisei, mas que podem, quem sabe, se interessar por ele depois de conhecer a história por trás do monstro.

É curioso pensar que, ao devolver o livro à cidade onde tudo começou, Gatayama não apenas homenageou seu mestre, mas também construiu uma nova narrativa: a de um legado que respira, caminha e, quem sabe, inspira o próximo dublê que dará vida a monstros, heróis ou lendas.

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