Thutmose

Thutmose: a série que misturou Egito e magia na TV japonesa

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Na fase Fushigi Comedy da TV japonesa, Thutmose foi a série de 1991 que levou o Egito para dentro da fórmula da Toei com magia, humor e uma heroína escolar obrigada a caçar criaturas libertadas por acidente. Exibida de 6 de janeiro a 29 de dezembro de 1991, a produção ocupou o posto de 12ª obra da franquia e teve 51 episódios.

O ponto que faz a obra seguir lembrada é justamente a mistura pouco comum entre cotidiano juvenil, fantasia televisiva e imagética egípcia. Em vez de repetir o mesmo verniz visual de outras heroínas do período, a série trocou o repertório da anterior Bishoujo Kamen Patrine por pirâmides, papiro, demônios do Nilo e frases de transformação que acentuavam essa identidade.

Dentro da tradição do tokusatsu, o seriado funciona como um caso interessante de adaptação temática. O formato continua reconhecível, com transformação, identidade heroica, artefatos especiais e inimigos episódicos, mas tudo é filtrado por um imaginário egípcio que era incomum no gênero de TV infantil japonesa daquele começo dos anos 1990. Isso já bastaria para destacá-lo, mas a série ainda ganhou um lugar peculiar por surgir num momento em que a linha Fushigi Comedy apostava fortemente em protagonistas femininas.

Resumo

  • Thutmose foi a 12ª série da Toei Fushigi Comedy Series, exibida em 1991.
  • A protagonista Sanae Nakajima liberta 51 demônios do Nilo e precisa capturá-los.
  • A obra marca a fase de heroínas da franquia com forte tema egípcio.
  • O roteiro integral ficou com Yoshio Urasawa, e a direção principal com Shinji Murayama.

Thutmose dentro da fase de heroínas da franquia

Quando se observa a sequência da marca, fica claro que Thutmose não apareceu isolada. Ela veio logo depois de Patrine e antes de Utau! Dai Ryugujo, ficando no centro de um período em que o Fushigi Comedy testava com confiança narrativas guiadas por meninas e mulheres jovens. Por isso, a série costuma ser lembrada ao lado de outras produções discutidas em recortes sobre mulheres no tokusatsu e heroínas pouco convencionais da televisão japonesa.

Esse lugar intermediário também ajuda a explicar sua identidade própria. Se a produção anterior tinha uma fantasia mais ligada a referências europeias, Thutmose desloca o eixo para o Egito, mas sem abandonar o humor doméstico e a estrutura episódica. O resultado não é um drama histórico, e sim uma fantasia pop em que o exotismo visual serve de motor para truques, monstros e situações absurdas, algo que combina com a reputação irreverente da franquia.

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A premissa dos 51 demônios libertados

A história começa quando Sanae Nakajima vai ao túmulo dos antepassados para comunicar a mudança de casa da família. Nesse momento, ela danifica a sepultura e acaba soltando 51 demônios do Nilo que estavam selados ali. A partir daí, a primeira Thutmose ordena que ela se torne a segunda portadora do nome e passe a recapturar as criaturas, transformando culpa acidental em missão heroica.

Essa base narrativa é simples, mas muito eficiente. Cada demônio permite uma variação de conflito, e a série organiza seu avanço como uma caçada contínua, o que ajuda a manter unidade entre episódios independentes. Nos primeiros capítulos, segundo a própria documentação japonesa da obra, havia até uma inclinação mais investigativa, com a reunião de suspeitos para descobrir quem estava possuído, antes de a narrativa assumir uma forma mais diretamente combativa.

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Egito pop, magia e objetos cênicos

O tema egípcio não ficou só no título. A transformação usava um encantamento específico, a heroína recorria a um bastão ligado a papiro para capturar os inimigos, e a série ainda articulava pirâmide, caixa de música e outros elementos visuais para reforçar a assinatura da personagem. É uma produção que hoje pode parecer peculiar, mas justamente por isso permanece tão fácil de identificar na memória de quem conhece a linha.

ElementoFunção na sérieEfeito no tom
Egito como motivo visualDiferencia a obra dentro da franquiaDá identidade imediata à heroína
51 demônios do NiloEstrutura a missão episódicaMantém senso de progressão
Papiro e bastão mágicoServem à captura dos inimigosReforçam o lado fantástico
Vida escolar e familiarAterra a fantasia no cotidianoPreserva o humor leve da série

Essa combinação visual faz a série dialogar bem com fãs que procuram obras que escapam do circuito mais repetido no Brasil. Não se trata de um título conhecido da mesma maneira que produções exibidas em TV aberta brasileira, mas ele oferece uma amostra muito clara de como o gênero sabia absorver referências externas e remodelá-las para o entretenimento dominical japonês.

Os principais nomes criativos por trás da obra

No campo criativo, o peso do projeto é fácil de notar. A obra traz criação original de Shotaro Ishinomori, enquanto Yoshio Urasawa assinou sozinho todos os roteiros. Já a direção principal ficou com Shinji Murayama, que conduziu boa parte dos episódios relevantes, incluindo piloto e encerramento. Esse tripé ajuda a explicar por que a série, mesmo sendo leve e fantasiosa, mantém uma personalidade narrativa bem consistente.

Também vale registrar o elenco central, com Horikawa Sanae interpretando a protagonista Sanae Nakajima, além de Mana Seki, Fumiyo Sako e Shigeru Saiki em papéis ligados ao núcleo familiar e recorrente. Esse conjunto sustenta o lado cotidiano da série, essencial para equilibrar o visual mágico com situações domésticas, escolares e cômicas, algo recorrente nas obras da marca naquele período.

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Recepção tardia e permanência na memória

Há ainda um dado curioso sobre a sobrevida da produção. A página dedicada à obra no universo Ishinomori registra que, em 2020, Thutmose esteve entre os títulos colocados em streaming no canal Toei Tokusatsu World no YouTube, sinal de que a série continuou presente no catálogo de interesse da companhia décadas depois da estreia. Isso não transforma o seriado num fenômeno de massa contemporâneo, mas mostra que ele não foi simplesmente abandonado. Aliás, segue abaixo o episódio 1.

Por que Thutmose ainda chama atenção?

Thutmose segue relevante porque condensa vários traços que interessam ao fã atento: a fase feminina da Toei Fushigi Comedy Series, a liberdade visual da TV japonesa de 1991, a escrita unificada de Yoshio Urasawa e uma premissa que transforma um acidente doméstico num ritual contínuo de caça a demônios. Para quem observa a memória do gênero em registros sobre tokusatsu na TV e em antigas revistas de tokusatsu, a série permanece como uma peça curiosa, singular e difícil de confundir com qualquer outra.

Talvez seja exatamente esse o seu valor hoje: não o de obra mais famosa, mas o de título que mostra até onde a televisão japonesa podia ir quando misturava heroína, humor, monstros e imaginação temática. Para ampliar esse mapa, confira o nosso conteúdo sobre Utau! Dai Ryugujo e veja como outra série do mesmo gênero seguiu por uma rota diferente depois de Thutmose.

Perguntas frequentes (FAQ)

Thutmose faz parte de qual franquia?

Thutmose integra o Fushigi Comedy, linha televisiva de fantasia e humor produzida para a TV japonesa. No caso específico dessa obra, ela corresponde à 12ª série da franquia, exibida em 1991, entre Bishoujo Kamen Patrine e Utau! Dai Ryugujo. Isso a coloca num trecho bastante lembrado pela presença de heroínas femininas.

Qual é a história básica de Thutmose?

A trama acompanha Sanae Nakajima, uma estudante que acidentalmente danifica o túmulo de seus antepassados e libera 51 demônios do Nilo antes selados. Como descendente da primeira Thutmose, ela recebe a missão de se tornar a segunda heroína com esse nome e capturar as criaturas usando poderes e objetos mágicos de inspiração egípcia.

Por que a série é associada ao Egito?

A produção foi concebida com temática egípcia para diferenciá-la de sua antecessora imediata. Isso aparece na iconografia de pirâmides, papiro, magia ligada ao Nilo e na própria identidade da protagonista. Em vez de apenas usar o Egito como enfeite, a série faz desse repertório o eixo visual e narrativo que organiza transformação, captura dos inimigos e atmosfera geral.

Quem são os principais criadores de Thutmose?

A obra tem criação original de Shotaro Ishinomori. Os roteiros de todos os episódios ficaram com Yoshio Urasawa, enquanto Shinji Murayama atuou como diretor principal, comandando muitos dos capítulos centrais da série. Esse conjunto criativo ajuda a explicar a unidade tonal do seriado, mesmo quando ele alterna humor, fantasia, cotidiano familiar e confronto com monstros episódicos.

Por que Thutmose ainda interessa ao público de hoje?

Porque ela representa uma combinação rara dentro do tokusatsu televisivo: heroína feminina, estética egípcia e estrutura seriada baseada em 51 demônios a serem capturados. Além do valor histórico na fase Fushigi Comedy, a série chama atenção por revelar um lado menos comentado da TV japonesa de efeitos especiais, o que atrai fãs, pesquisadores e curiosos por obras fora do repertório mais popular no Brasil.

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