
Do balé ao comando do Esquadrão Ultra: a história de Shoji Nakayama
Shoji Nakayama foi um dos rostos mais marcantes do tokusatsu, especialmente por seu papel icônico como o Capitão Kaoru Kiriyama em Ultraseven. Sua carreira, no entanto, vai muito além desse papel e abrange uma vasta gama de produções no cinema e na televisão japonesa.
Com uma história de vida que inclui desde o período da Segunda Guerra Mundial até sua transição para o mundo do entretenimento, Nakayama consolidou seu nome como um dos grandes atores do Japão.
Neste artigo, vamos conhecer melhor sua trajetória, os desafios e as contribuições que ele deixou não apenas para a franquia Ultraman, mas também para a indústria cinematográfica e televisiva.
Do balé à atuação
Nascido em 26 de fevereiro de 1928 em Tóquio, Shoji Nakayama teve uma infância marcada pelo período conturbado da Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, ele serviu como jovem hidrógrafo na Marinha de Yokosuka. Com o fim da guerra, Nakayama seguiu um caminho incomum para um futuro ator de tokusatsu: tornou-se bailarino, passando por várias companhias de dança.
Sua entrada no cinema ocorreu por acaso. Em 1952, enquanto atuava no teatro ao lado da renomada atriz Yoko Michiyo, ele chamou a atenção do cineasta Josef von Sternberg. O diretor, que estava no Japão filmando Anatahan, o escalou para um papel no filme. Esse foi o ponto de virada para Nakayama, que decidiu abandonar a carreira de dançarino e seguir no cinema.
Ascensão no cinema e na TV
Após sua estreia em Anatahan, Nakayama assinou contrato com o estúdio Shintoho, onde rapidamente se tornou um rosto conhecido. Durante a década de 1950, ele interpretou personagens de diversos gêneros, desde dramas contemporâneos até filmes de artes marciais.
No final da década de 1950, Nakayama migrou para a Toei, onde expandiu sua atuação para o mercado televisivo. Sua versatilidade o levou a trabalhar em séries investigativas, doramas e jidaigeki (doramas históricos). Entre suas aparições notáveis estão Especial Mobile Investigation Unit e Headlight.
Shoji Nakayama e Ultraseven
Em 1967, Nakayama foi escalado para interpretar o Capitão Kaoru Kiriyama na série Ultraseven, produzida pela Tsuburaya Productions. Kiriyama era o comandante do Esquadrão Ultra (Ultra Garrison, no original), equipe encarregada de defender a Terra contra ameaças alienígenas.
Inicialmente, Nakayama via sua participação em uma série infantil com certa reserva. No entanto, à medida que Ultraseven se tornava um fenômeno cultural, ele passou a enxergar seu papel com mais carinho. Anos depois, em uma reunião com o elenco, chegou a afirmar que essa havia sido sua obra mais significativa.
A série conquistou uma legião de fãs e solidificou Nakayama como um dos grandes atores do tokusatsu. Seu personagem, com um perfil de líder forte e carismático, é lembrado até hoje pelos admiradores do gênero.
Carreira posterior e contribuições
Nos anos 1970, Nakayama passou a atuar principalmente como coadjuvante em produções cinematográficas e televisivas. Seu perfil de homem maduro e imponente o levou a interpretar vilões em várias produções de samurais e dramas de época.
Além de sua carreira como ator, Nakayama dedicou-se a formar novos talentos. Ele atuou como instrutor de entretenimento e diretor da Edo Wonderland Nikko Edomura, um parque temático baseado no período Edo, onde orientava jovens atores.
O adeus de Shoji Nakayama
Shoji Nakayama faleceu em 1º de dezembro de 1998, aos 70 anos, devido a uma pneumonia. Pouco antes de sua morte, ele havia aceitado reprisar seu papel como Kiriyama na minissérie Ultraseven 1999 The Final Chapters, mas não chegou a filmar sua participação. Seu personagem acabou sendo retirado da trama, com uma justificativa dentro da história.
Em sua cerimônia de despedida, amigos e ex-colegas prestaram homenagem cantando Ultra Keibi-tai no Uta, tema do Esquadrão Ultra. Esse momento simbólico reforçou a importância de Nakayama dentro do tokusatsu como um todo.
E agora que você conhece sua história de vida e carreira, confira também este conteúdo que produzimos sobre Ultraseven, uma das obras que marcou seu trabalho na atuação.