Por que Super Sentai chega ao fim? Entrevista e dados revelam o motivo

Por que Super Sentai chega ao fim? Entrevista e dados revelam o motivo

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Gozyuger será a última série de Super Sentai, encerrando um ciclo de 50 anos que acompanhou gerações. A decisão gerou forte comoção entre adultos que cresceram com os heróis e crianças que ainda assistem hoje. Mas, por trás da repercussão emocional, há motivos concretos que explicam por que a franquia chegou a esse ponto — e eles foram revelados tanto pela Toei quanto por analistas do setor.

Shinichirō Shirakura, Diretor Executivo Sênior da Toei, esclareceu que não considera o encerramento como um fim absoluto, mas como uma pausa necessária. A transmissão deixará seu tradicional horário de domingo, e a possibilidade de retorno existe, porém apenas após um intervalo significativo. O mais importante, segundo ele, é entender por que essa pausa se tornou inevitável.

Um formato pressionado por um novo cenário de entretenimento

Numa entrevista concedida ao jornal Asahi (e transcrita pelo Mega Power Brasil) Shirakura aponta dois elementos centrais que levaram Super Sentai ao limite do modelo.

1. A era do streaming

No streaming, séries antigas e novas ficam lado a lado. Isso cria um desafio imediato: Super Sentai reinicia seu universo todos os anos, enquanto séries antigas já possuem reputação consolidada. Para um novo título competir nesse ambiente, seria preciso oferecer um diferencial excepcional — algo cada vez mais difícil dentro das regras tradicionais do gênero.

Além disso, o público pode sentir que “já sabe o que é Super Sentai”, o que reduz a curiosidade pelo novo e reforça a busca por temporadas antigas.

2. A força dos heróis ocidentais

Segundo Shirakura, personagens de quadrinhos americanos formam um pacote unido, com identidades claras e consistentes ao longo do tempo. Já Super Sentai troca elenco, história e tom a cada ano. Essa falta de continuidade dificulta construir reconhecimento prolongado e torna mais difícil posicionar a franquia diante do avanço de outras marcas de heróis.

Com esses fatores combinados, até mesmo mudanças ousadas — como o time de robôs em Zenkaiger — deixaram de surtir o efeito esperado.

Quando o próprio sucesso se torna um obstáculo

Shirakura também descreve um fenômeno curioso: a familiaridade excessiva do público com a fórmula Super Sentai. Cinco heróis coloridos, um monstro gigante, um robô combinando peças — elementos tão conhecidos que levam muitas pessoas a achar que “não precisam assistir”.

Essa previsibilidade faz com que as novidades deixem de ser percebidas. Mesmo quem gosta da franquia pode preferir rever algo antigo em vez de acompanhar o novo. Para a equipe criativa, isso se torna um risco constante: a possibilidade de que a série, mesmo bem produzida, seja ignorada por parecer “mais do mesmo”.

Ao mesmo tempo, a experiência acumulada ao longo de 50 anos passou a limitar a capacidade de reinventar o formato. A Toei sabe fazer Super Sentai — mas talvez saiba demais. E isso, segundo Shirakura, impede pensar além das regras tradicionais.

O impacto direto do mercado

Enquanto a Toei enfrenta desafios criativos, o mercado apresenta obstáculos igualmente significativos.

1. Público infantil em queda

Como aponta o especialista Kiyoshi Tane, a diminuição da taxa de natalidade afeta diretamente o principal público da franquia. E, com mais opções de entretenimento gratuito, especialmente jogos mobile, a TV perdeu espaço nas faixas etárias mais jovens.

Essa combinação explica a audiência de 1,9% registrada por um episódio recente de Gozyuger, refletindo a mudança drástica nos hábitos de consumo das crianças.

2. Queda nas vendas de brinquedos

Tradicionalmente, brinquedos são a maior fonte de receita das séries heroicas. No entanto, conforme apontamos anteriormente no Toku Blog:

  • Super Sentai: cerca de 6,5 bilhões de ienes anuais
  • Kamen Rider: aproximadamente 30 bilhões
  • Ultraman: entre 14 e 20 bilhões

O abismo entre esses números se agravou após 2018, quando a Hasbro comprou os direitos de fabricação dos brinquedos de Power Rangers no exterior. Antes disso, quase metade da receita global de Super Sentai vinha justamente dessa linha. Com a perda dessa fatia, o impacto foi imediato e severo.

3. Dificuldade de atrair o público adulto

Enquanto Kamen Rider encontrou grande sucesso entre adultos que compram versões especiais de brinquedos, Super Sentai não conseguiu replicar essa força. As linhas do gênero possuem muitos itens diferentes, difíceis de colecionar, o que afasta o público que busca produtos simples, diretos e de compra fácil.

Até mesmo iniciativas como aumentar o número de personagens — caso de Kyuranger, com nove integrantes — não tiveram efeito duradouro. O aumento na variedade de produtos elevou custos, mas não manteve o ritmo de vendas.

Um encerramento sem conflitos

Apesar da importância histórica da franquia, Shirakura afirma que não houve conflitos internos ao decidir a pausa. Para ele, era necessário repensar o gênero de heróis para as próximas gerações. E essa transformação começa com o projeto que sucede Gozyuger: Gavan Infinity.

Em paralelo, a Toei anunciou a estreia de um novo projeto, Project R.E.D., que marcará o início de um novo caminho, ainda não detalhado nas referências. Para acompanhar esse novo momento, confira aqui o teaser de Project R.E.D.

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