O Livro dos Cinco Anéis

Miyamoto Musashi e o caminho da espada em O Livro dos Cinco Anéis

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Muito antes de espadas virarem extensões simbólicas de heróis mascarados ou guerreiros serem elevados a arquétipos em séries de tokusatsu, o Japão já havia eternizado a figura do combatente absoluto por meio de nomes históricos como Miyamoto Musashi. O Livro dos Cinco Anéis é um tratado sobre estratégia e combate baseado nos ensinamentos da escola de kenjutsu Niten Ichi Ryu, fundada pelo próprio Musashi.

Miyamoto Musashi e a construção do mito

A emblemática imagem de Miyamoto Musashi figura entre as mais famosas da história do Japão. Um exímio espadachim que viveu no ano de 1584 até 1645 e se tornou uma figura lendária que povoa o imaginário do povo do seu país que acaba afetando também os ocidentais amantes da cultura japonesa. Esse espadachim conseguiu a proeza de criar uma imagem praticamente divina de si.

O modo como os japoneses retratam sua figura mais famosa deu um aspecto lendário para o lado ocidental do mapa-múndi. Se não fosse essa união desses cinco livros num compêndio de ensinamentos filosóficos e práticos para o kenjutsu, a figura de Musashi ainda passaria a ideia de ser um mito para nós, os ocidentais.

Os cinco livros e os elementos da natureza

O livro que li é, na verdade, uma mini-biblioteca com 5 livros sobre lições valiosas para os amantes de artes marciais, baseada na firmeza da Terra, na fluidez da Água, a ferocidade do Fogo, a constância do Vento e da plenitude do Vazio. Musashi criou preceitos para a sua escola baseada nesses elementos.

A ideia de estudar, treinar e manejar movimentos com o corpo e as espadas (visto que a escola Niten Ichi Ryu é sobre o manejo de duas espadas) é válida para quem ama artes marciais com espadas (kenjutsu).

Na época em que Musashi escreveu esses cinco compêndios (no fim de sua vida), o então guerreiro aposentado dificilmente tinha conhecido a derrota e tinha ótima experiência de combates sobre seus adversários, tanto em combate individual como contra vários inimigos de uma vez.

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Experiência prática e ensino do combate

Transpor sua experiência de combate no papel não é uma tarefa fácil. Cada estudante tem sua limitação e capacidade de entendimento, fazendo que o treinamento físico seja importante para o aprendizado, coisa que só a leitura desse compêndio não resolveria. E é importante notar que Musashi sabia que cada estudante do seu estilo de combate tinha desenvolvimento diferente. Por isso, ele escreveu lições para cada nível, baseado nos elementos da Natureza.

E Musashi deixou bem claro que cada lição será aperfeiçoada na prática com o manejo das espadas em combate. Musashi mostrou empatia pelos seus alunos em compreender as dificuldades deles com a espada, mas mostrou zero empatia pelos adversários que ele(s) enfrentou(taram), enfrenta(m) e enfrentaria(m).

E ele ensinou em vários combates e golpes fatais para o adversário, o que seria inadequado para os dias de hoje, mas vale para aplicar esse conceito (se usado como analogia) para as dificuldades cotidianas do guerreiro moderno.

Edição, leitura e experiência visual

Sobre a parte física do livro, é montado para ser uma leitura rápida. Letras grandes e MUITAS gravuras no estilo ukyo-e que enriqueciam o livro. E a editora Pé da Letra (detentora dos direitos desse exemplar que eu li) deixou esse exemplar rico. O modo em que o texto é armazenado nas páginas deixou a leitura mais fluída. As gravuras são belas.

O Livro dos Cinco Anéis é um bom compêndio para os amantes da cultura samurai e técnicas de combate. Sua leitura rápida faz o leitor querer ler e reler várias vezes. O resultado sempre será o mesmo.

Para saber mais sobre estratégia samurai, filosofia de combate e obras clássicas da cultura japonesa, clique aqui para conferir mais resenhas que escrevi para o Toku Blog.

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