O Livro do Vento

O Livro do Vento, conspiração samurai e manuscritos que podem destruir o Japão

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Em muitas produções de tokusatsu ambientadas no Japão feudal, o conflito entre clãs, segredos militares e manuscritos proibidos costuma ser o estopim para guerras silenciosas que colocam o país à beira do colapso. O Livro do Vento dialoga diretamente com esse imaginário ao retratar conspirações, heranças marciais e disputas políticas que poderiam facilmente servir de base para uma série histórica do gênero, onde cada documento roubado carrega o peso de mudar o destino do Japão.

Esse tipo de tensão histórica, tão comum no tokusatsu, também está presente nesta obra de forma densa e realista.

A herança dos Yagiu e o peso da história

A fama de Yagiu Jubei em dominar a espada dupla permeia o imaginário do folclore japonês desde o período Tokugawa. São muitas as homenagens que as empresas japonesas fazem com essa personalidade histórica, cuja família era formada por integrantes que ensinavam a arte da esgrima para o shogun e seus descendentes.

E, diretamente ou indiretamente, os Yagiu eram responsáveis por exercer influência no comando do Japão no período Tokugugawa. E transpor para os quadrinhos um pouco da veracidade histórica misturada com relatos fictícios é de uma responsabilidade gigante.

Roteiro histórico com liberdade criativa

O roteirista Kan Furuyama teve uma incrível missão de se aliar ao ilustrador Jiro Taniguchi, o essencial da família Yagiu. Muita coisa que existe sobre Yagiu Jubei não tem fonte concreta, fazendo com que o roteirista usasse um pouco da liberdade criativa. E aqui nesse mangá de 1991 em capítulos separados na revista Young Champion, lançado em formato tankobon em 1992 no Japão e em 2006 no Brasil num volume único, houve muitos elementos reais misturados com a fantasia.

Kan Furuyama é um autor mais polido, e podemos ver isso na linguagem apresentada onde a história de Jubei foi contada. Não houve espaço para o humor, consagrando Kaze no Sho como uma obra para um público maior conhecer a história do país. Personagens reais se misturam com personagens inventados para a trama e o autor soube prender com êxito a leitura dessa obra.

O roteiro tentou ser mais juvenil, por falar de tramas e conspirações de forma mais leve, mas os belos desenhos de Jiro Taniguchi e a ausência de humor não conseguiram dar aquela amenizada necessária para a história. Ou seja, se tu adquirires o mangá pensando em encontrar uma história semelhante ao que é apresentado em Rurouni Kenshin (Samurai X), vai ficar muito decepcionado. O roteiro é denso e pede um público maior para a leitura.

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A ideia aqui é um ponto de equilíbrio perfeito entre ao que é apresentado em Rurouni Kenshin e Kozure Okami (Lobo Solitário) para um público maior. Interessante como Kan Furuyama guiou os passos para que a história chegasse a esse ponto de equilíbrio.

A arte de Jiro Taniguchi

Os desenhos de Jiro Taniguchi também se mostraram excelentes. O ilustrador escreveu que essa foi sua primeira história de Samurais que ele desenhou, pois não estava acostumado com esse mundo e resolveu caprichar no estudo de imagens. Uma viagem a cidade histórica de Kyoto lhe rendeu uma forte inspiração para os desenhos, que se mostraram belos e eficientes.

Podemos viajar para a Kyoto do século XVII sem sair de casa, pois somos automaticamente transportados para aquele lugar e para aquela época. O traço de Taniguchi é limpo, sem borrões e deixa o leitor imerso numa trama que beira a tensão. O traço limpo e fino de Taniguchi fez com que o leitor prestasse atenção a cada detalhe apresentado nas gravuras.

Os desenhos são lindos e cumprem a missão de absorver o leitor para aquele mundo apresentado do Japão em duas épocas (Período Tokugawa e Período Meiji). O artista trabalhou muito bem no devido tempo apresentado.

A edição brasileira e os materiais extras

É interessante notar que a Panini caprichou nesse volume único. 250 páginas de quadrinhos da melhor qualidade e ainda tivemos bônus complementares. Tivemos dois posfácios com os artistas (uma página dedicada a Furuyama e outra para Taniguchi) contando detalhes de bastidores e agradecimentos. Tivemos também um rico glossário com significado de cada expressão utilizada pelos personagens da trama.

Mas o maior charme do bônus está numa linha do tempo onde se coloca os eventos que aconteceram no Japão desde o período Jomon até o período Heisei, fazendo paralelos com acontecimentos no Brasil e no mundo. Ou seja, houve uma pesquisa histórica que enriqueceu ainda mais o volume único (de uma época em que a Panini acertava mais do que errava).

Considerações finais

O Livro do Vento (Kaze no Sho) é um mangá seinen que equilibra entre o público juvenil e adulto. Tem boas cenas de luta. É ótimo para quem curte histórias de samurais com uma ausência de humor e “caras e bocas” dos personagens em piadas visuais. O Livro do Vento não tem espaço para isso.

Para saber mais sobre mangás históricos japoneses e obras que dialogam com o imaginário samurai, clique aqui para conferir mais resenhas que escrevi para o Toku Blog.

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