Kamen Rider corre risco de acabar? Entenda o caso
Depois do anúncio do fim de Super Sentai na TV Asahi, uma pergunta começou a ecoar nos bastidores e fóruns de tokusatsu: será que Kamen Rider pode ser o próximo alvo dos cortes? A resposta curta, com base nas fontes disponíveis, é que não existe nenhum anúncio oficial sobre o fim da franquia, mas há sinais claros de pressão em custos de produção e mudanças no modelo de negócio que justificam a discussão.
A seguir, trazemos um panorama baseado em reportagens japonesas, dados de vendas e análises de mercado, em linha com a cobertura que já fizemos sobre o Super Sentai.
Resumo
- Não há comunicado oficial da Toei, Bandai ou TV Asahi indicando o fim de Kamen Rider como franquia.
- Reportagens japonesas apontam custo de produção em alta, queda relativa no mercado de brinquedos e até a hipótese de manter Kamen Rider apenas com filmes anuais.
- Os dados de vendas mostram que Kamen Rider ainda é muito mais rentável que Super Sentai, o que reduz o risco imediato, mas não elimina a necessidade de reformulação.
Fatos rápidos
- Segundo reportagem da Goo baseada em fonte de produção, um episódio de Super Sentai pode custar cerca de 20 milhões de ienes, com alta em itens como efeitos visuais, locações e mão de obra, o que levou a um cenário de “redemoinho de prejuízo” quando brinquedos e eventos não sustentam mais a conta.
- A mesma matéria cita que a produção de Kamen Rider também é muito cara e menciona, como hipótese interna da TV Asahi, um cenário futuro em que a franquia sobreviveria apenas com um filme de cinema por ano.
- Em paralelo, dados de vendas apontam Kamen Rider com faturamento várias vezes superior ao de Super Sentai, o que ajuda a explicar por que, na visão de analistas e fãs, Rider continua em posição mais segura no curto prazo.
Custos de produção: quando o modelo semanal começa a pesar
A primeira camada da discussão aparece nas matérias japonesas que explicam por que Super Sentai foi cortado. A revista semanal Smart Flash descreve os bastidores como um ambiente de produção sob forte pressão: orçamento apertado, cronogramas duros, locações distantes para cenas de explosão, gravações que avançam noite adentro e, em alguns casos, nem táxi a produção conseguia bancar para o staff voltar para casa.
Tudo isso somado à queda no desempenho de produtos licenciados criou um ciclo em que o esforço não se convertia em resultado. A série era mantida à base de sacrifício de equipe e elenco, sem perspectiva de melhora de retorno.
A reportagem da Goo, citando um profissional de produção, coloca um número nessa equação. Segundo ele, um episódio de Super Sentai já custaria cerca de 20 milhões de ienes, com alta em itens como suítes, robôs em CGI, locações e pessoal. O texto descreve que, com eventos prejudicados na pandemia e brinquedos vendendo menos do que no auge, o programa passou a acumular prejuízo a cada temporada.
Esse contexto importa para Kamen Rider porque as duas franquias compartilham o mesmo ecossistema: Toei, Bandai, TV Asahi, bloco matinal e modelo semanal de produção.
Kamen Rider ainda vende mais que Super Sentai
Quando olhamos para o lado financeiro, Kamen Rider parte de uma posição bem mais forte que Super Sentai. Reportagens japonesas baseadas em dados de Bandai Namco, mencionam que a franquia Kamen Rider movimentaria algo na casa de 300 bilhões de ienes em vendas de produtos, enquanto Super Sentai ficaria em torno de 60 bilhões, ou aproximadamente um quinto do valor.
Outra matéria, da Livedoor, com comentário de ex-funcionário de TV, também reforça essa diferença, citando Kamen Rider em torno de 220 bilhões de ienes contra cerca de 50 bilhões de Super Sentai como referência de escala.
O próprio relatório da Bandai Namco, usado no nosso artigo sobre o fim de Super Sentai, reforça o quadro. No ano fiscal de 2025, o quadro de propriedades intelectuais mostra:
| Propriedade intelectual | Ano fiscal de 2025 (vendas) |
|---|---|
| Dragon Ball | 190,6 bilhões de ienes |
| Mobile Suit Gundam | 153,5 bilhões de ienes |
| One Piece | 139,5 bilhões de ienes |
| Kamen Rider | 30,7 bilhões de ienes |
| Naruto | 26,9 bilhões de ienes |
| Ultraman | 14 bilhões de ienes |
| Pretty Cure | 7,9 bilhões de ienes |
| Super Sentai | 6,4 bilhões de ienes |
Mesmo considerando que as categorias podem variar de um relatório para outro, a proporção se mantém: Kamen Rider fatura várias vezes mais que Super Sentai, o que ajuda a explicar por que a tesoura caiu primeiro no esquadrão de heróis coloridos.
Bastidores, rumores e a hipótese de “só filme por ano”
A parte que acende o alerta nos fãs é a que trata diretamente de Kamen Rider. O mesmo profissional ouvido pela reportagem afirma que a produção de Rider também é muito cara e que o antigo modelo de negócio, baseado em publicidade e venda de brinquedos, não sustenta mais sozinho o custo do programa. Segundo ele, dentro da TV Asahi já teria sido discutida a possibilidade de, no futuro, manter a marca apenas com um filme de cinema por ano, em vez da série semanal.
Isso não é um anúncio oficial, mas mostra que, pelo menos em nível de cenário interno, alternativas ao formato atual estão na mesa.
Em paralelo, um blog japonês que compila as notícias sobre o fim de Super Sentai dedica uma seção à pergunta “o que acontece com Kamen Rider?”. O autor conclui que, com o novo título Kamen Rider Zetts já em marcha e a força comercial da marca, a tendência é de continuidade, ainda que em um cenário de mudanças para o tokusatsu como um todo.
O que dizem os fãs japoneses sobre um possível fim
A ansiedade dos fãs aparece claramente em sessões de perguntas e respostas do Yahoo! Chiebukuro. Em uma questão, um usuário pergunta se, com o fim de Super Sentai, Kamen Rider também estaria perto do fim.
Entre as respostas, há quem destrinche dados de Bandai, colocando Kamen Rider como um dos maiores IPs da empresa e destacando que suas vendas são cerca de cinco vezes superiores às de Sentai, o que indicaria maior segurança no curto prazo.
Outra thread pergunta diretamente se “o fim de Kamen Rider está próximo”. A resposta mais ponderada sugere que, se um dia a franquia “terminar”, isso provavelmente aconteceria em um ponto simbólico, como um grande marco de aniversário, e que o encerramento seria mais um fim de ciclo do que a morte definitiva da marca.
Há também ensaios de opinião em plataformas como o Note, que extrapolam o cenário e falam em “fim inevitável” de símbolos de uma era, citando que, em algum momento, não só Super Sentai, mas também Kamen Rider e Precure poderiam chegar ao fim. Nesses textos, porém, a discussão é mais simbólica e geracional do que baseada em números concretos.
Kamen Rider vai acabar?
Com base nas fontes disponíveis hoje, a resposta honesta é: não há evidência de que a Toei esteja encerrando Kamen Rider como franquia. O que existe é:
- um ambiente de produção mais caro e pesado para todo o tokusatsu semanal;
- reportagens que mostram que o modelo financeiro tradicional está sob pressão;
- hipóteses internas de formatos alternativos, como focar em filmes anuais;
- dados que indicam que Kamen Rider ainda tem fôlego maior do que Super Sentai em vendas.
Ou seja, o risco imediato de um “fim definitivo” é baixo, mas a chance de mudança de formato é real. O que deve acabar, cedo ou tarde, é o modelo clássico de série semanal longa, dependente principalmente de publicidade e brinquedos, não o conceito de Kamen Rider em si.
E se o futuro do bloco de heróis passar por uma reorganização total, outra peça entra no tabuleiro: a possibilidade de retorno dos Metal Heroes no lugar dos Super Sentai. Se você quiser entender como essa discussão já está surgindo nas apurações e nos bastidores, vale conferir o nosso texto sobre se os Metal Heroes substituirão Super Sentai em 2026.

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


