Japão Ontem e Hoje

Japão Ontem e Hoje (1993): a leitura ainda é relevante?

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Antes de existirem heróis gigantes enfrentando kaijus em Tóquio ou equipes coloridas salvando o planeta, existiu um Japão moldado por guerras, isolamento, reconstrução e crescimento econômico acelerado. Para quem acompanha tokusatsu, entender o contexto histórico, político e cultural do país ajuda a enxergar de onde surgiram tantas narrativas de honra, sacrifício e reconstrução. É nesse espírito que encaro a leitura de obras como Japão Ontem e Hoje esta.

Visão panorâmica do Japão do início da década de 1990

Ler livros de geopolítica hoje em dia é algo arriscado. Todo cuidado para esse tipo de leitura tem que ser redobrado. Ainda mais se tratando de um livro que retrata uma visão do Japão da primeira metade da década de 1990. Ou seja, para uma leitura de geopolítica, vamos encontrar muitas informações defasadas.

Mas é sempre bom dar uma lida para que possamos ver como era a visão econômica na década de 1990 e de como o chamado “milagre japonês” eclodiu. O começo do livro é isso, um panorama da geografia e da história do país. Ficamos sabendo da Geografia-política do país e de como isso ajudou o povo japonês a tornar o país aquela potência que conhecemos na época.

As adversidades e a história do país foram de suma importância para transformar o Japão no que ele realmente é.

Brasil e Japão: laços históricos

Teve um capítulo dedicado a irmandade entre Brasil e Japão. De forma bem resumida, destacou-se de como a ajuda da mão-de-obra nipônica nos cafezais no começo do século XX fez os isseis prosperarem e também ajudarem a abolir a escravidão, mesmo se passando 20 anos do fim da escravatura.

Com a proclamação da República, ficou fácil o tratado de irmandade entre os dois países e a chegada do Kasato-Maru em 18 de Junho de 1908 fez a comunidade crescer.

Na época em que o livro foi escrito e publicado (em 1993), foi destacado as colônias de São Paulo e Pará. Mas hoje em dia, é de consenso de grandes antropólogos ligados a cultura japonesa no Brasil que as maiores colônias do país estão em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Mas como disse no parágrafo anterior, foi importante lermos para termos uma visão daquela década de 1990.

História do Japão: panorama e observações

Outro capítulo foi dedicado a história do país. Esse foi o mais longo do livro. E foi um texto mais atemporal, onde não encontramos muitas mudanças em textos mais atuais. Afinal, o que aconteceu no Japão há mais de 3000 anos não mudou.

Não se usou a narrativa mitológica como fato, mas como uma alegoria. Pouco se falou dos samurais, embora tenha narrado eventos de grandes nomes da história nipônica, como Oda Nobunaga, Hideyoshi Toyotomi e Ieyasu Tokugawa.

Uma parte que eu gostei do livro foi a importância do autor citar os Ainus como os primeiros habitantes do arquipélago, fato pouco relatado por autores relacionados a história do Japão. Os Ainus foram citados em dois momentos do livro e com todo o respeito que a cultura, em extinção na época, merece.

Depois ficamos sabendo da influência dos incidentes envolvendo os “ventos divinos” no modo de vida dos pilotos suicidas na Segunda Guerra.

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Nesse capítulo eu encontrei um erro de informação que pode confundir o leitor mais atento e acostumado com a história do país: a bomba de Nagasaki explodiu em 09 de Agosto de 1945, não no dia 06 de Agosto, como foi mostrado no texto (no dia 06 foi em Hiroshima). Foi o único erro encontrado e causado, provavelmente, por uma confusão de datas.

Fora isso, esse capítulo apresentou um panorama bem resumido da história do país.

Cultura e referências literárias

Também tivemos outro capítulo dedicado a cultura em si. Origens de algumas cerimônias, como a do chá e do bonkei, além dos teatros nô, bunraku e kabuki enriqueceram esse capítulo.

Gostei das referências da literatura que retratam essa parte do capítulo, como a citação ao clássico Shogun, de James Clavell e a Revolução Samurai, de Luiz Sette. Livros esses que já li e que me ajudaram a conhecer mais um pouco do estilo de vida dos japoneses.

Também nesse capitulo tivemos destaque para alguns versos de famosos hacaistas (japoneses e brasileiros). Já é o segundo livro do ano que faz algumas referências ao estilo hakai (versos efêmeros com divisões silábicas de 5-7-5).

Confesso que me deu vontade de estudar mais sobre essa forma de arte se expressar para que eu possa treinar um pouco.

Considerações finais

O livro é pequeno. Tem só 70 páginas e tem gravuras e fotos. Ele é fino. Consegui lê-lo em uma tarde.

Não serve para a geopolítica atual. A leitura dele para os parâmetros atuais são com dados irrelevantes. Existem outros livros de geopolítica japonesa com dados modernos (é fácil encontrarmos até dados da era Reiwa).

Mas esse resumo só vale para vermos os pensamentos da década de 1990. Outra época, outra moeda, outro estilo, outra geração.

O livro NÃO fala de aspectos da cultura pop (animes, mangás, tokusatsu, doramas, games e etc). Se você for ler o livro para ver se encontra alguma citação a esses aspectos, não vai gostar. Não é um livro de cultura pop. Mas de antropologia, onde dados sobre entretenimento japonês são irrelevantes para um estudo mais profundo.

Sérgio Bath deixou bem claro no texto que o objetivo do livro foi apresentar um resumo do jeito de ser do Japão daquela época. Não nos interessou saber qual o super sentai do ano, a música hit do momento e o filme mais aclamado. Só bastou citações literárias antigas para referenciar ao que foi escrito.

As fotos contrastam com o moderno e o tradicional. Compensa mais pelo valor histórico. Se o leitor for lê-lo com esse pensamento, vai gostar do que foi escrito.

Se você curte entender o Japão além dos monstros gigantes e dos heróis de armadura, eu convido você a conferir também as outras resenhas que publico aqui no Toku Blog. Eu sempre busco conectar história, cultura e entretenimento para ampliar nossa visão sobre tudo aquilo que amamos no universo japonês.

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