Mostra celebra 70 anos de Godzilla com visões surpreendentes
Godzilla chegou aos 70 anos. E, ao invés de apagar velinhas, ele está quebrando paredes — literalmente — na Mori Arts Center Gallery, em Roppongi. Uma nova exposição comemorativa, aberta até o dia 29 de junho, convida visitantes a atravessar uma galeria que mais parece um cenário saído direto de um filme da franquia: paredes rachadas, estruturas retorcidas e o impacto de uma presença que, mesmo invisível, é impossível de ignorar.
Mas aqui, o foco não é apenas o rugido ensurdecedor ou os prédios em queda. A mostra “Godzilla – THE ART” propõe uma questão provocadora: o que, afinal, é Godzilla? Mais de 20 artistas contemporâneos do Japão e do exterior tentam responder — cada um a seu modo, com técnicas, materiais e interpretações que revelam a profundidade simbólica do monstro que surgiu em 1954.
Quando a destruição vira linguagem artística
Conforme apontou o Yahoo News, logo na entrada, a obra “PARADISE”, do renomado artista Yokoo Tadanori, redefine a ideia de caos visual. Originalmente criada em 1985, a peça foi reorganizada especialmente para a mostra: os painéis se desalinham, como se tivessem sido derrubados pela passagem do próprio Godzilla. As cores vibrantes contrastam com a ideia de devastação, criando uma tensão visual que dá o tom do que está por vir.
Mais adiante, os visitantes se deparam com um pôster de filme que nunca existiu. A criação da pintora Fukuda Miran homenageia os cartazes de cinema da década de 1950, reforçando o papel do monstro como reflexo das ansiedades de cada época. Segundo a artista, a imagem silenciosa e sem movimento dos antigos cartazes permitia imaginar um filme inteiro a partir de uma única cena. Ao trazer isso de volta, ela também atualiza o debate sobre como vemos Godzilla hoje.






Godzilla, o destruidor… ou o protetor?
Nem toda obra grita ou explode. Algumas sussurram. É o caso da peça assinada pela artista sul-coreana Stickymonger, que retrata Godzilla caminhando ao lado de uma mulher, ambos debaixo de um guarda-chuva. Em preto e branco, com estética que remete aos filmes antigos, a obra propõe um olhar mais afetivo e protetor sobre a criatura. Ele ainda é grande. Ainda é temido. Mas talvez, no fundo, esteja apenas tentando proteger algo.
Essa dualidade também aparece no trabalho do ator e artista Tadanobu Asano. Em sua visão, Godzilla seria uma figura que elimina o que está preso, o que está reprimido. Sua obra é mais contemplativa: edifícios vazios e um Godzilla de olhos perdidos em meio à cidade. Ele não parece destruir. Ele parece procurar.
Entre brinquedo e crítica
A exposição também abre espaço para interpretações mais livres. Uma escultura construída com skates descartados transforma Godzilla em um ícone urbano, jovem e colorido. Em outro canto, uma maquete colaborativa criada pelo artista sueco TokyoBuild em parceria com a equipe de efeitos da Toho recria uma cidade em miniatura, destruída em detalhes. Ali, os visitantes se aglomeram para tirar fotos como se fizessem parte de um novo ataque do monstro.
Esse mix entre nostalgia, crítica e reinvenção é o que dá força à mostra. Não há respostas definitivas — apenas perguntas feitas com tinta, cerâmica, papel ou madeira. Godzilla aqui não é apenas personagem. É linguagem. É símbolo. E, acima de tudo, é um reflexo de quem somos em cada tempo.
Um monstro que nunca desaparece
Setenta anos depois de sua estreia nos cinemas japoneses, Godzilla continua provocando. Não só pelo tamanho ou pelos rugidos, mas pelo que representa. A exposição em Roppongi mostra que ele pode ser ícone da destruição, símbolo da proteção, retrato da solidão ou até objeto de carinho.
Aliás, sabia que, em outro evento, o rei dos monstros ganhou uma versão de ouro puro? Saiba mais aqui.

Fundador do Toku Blog, CEO da Agência Henshin e consultor de marketing digital, fascinado por marketing de conteúdo e admirador da cultura japonesa.


