Enciclopédia dos Samurais sobre armas, batalhas e estratégias
Quem assiste tokusatsu histórico ou produções ambientadas no período feudal japonês já se perguntou como funcionavam, de fato, os exércitos samurais. Enciclopédia dos Samurais, de Stephen Turnbull, vai muito além do romantismo das telas e apresenta um mergulho técnico e histórico sobre armas, batalhas, estratégias e personagens reais que moldaram o Japão.
Autoridade ocidental sobre os samurais
Já disse uma vez que Stephen Turnbull é uma das maiores autoridades mundiais no Ocidente a respeito dos lendários samurais. Ele já tinha escrito um livro que foi lido por mim no primeiro semestre do ano de 2025 intitulado “Samurai – O Lendário Mundo dos Guerreiros”, que, inclusive, serviu como base para o roteiro do filme O Último Samurai. Mas no primeiro livro, foi algo mais breve e objetivo. Na Enciclopédia dos Samurais, Turnbull foi mais profundo. O livro foi dividido em 6 partes.
Primeira parte: categorias e grandes nomes
A primeira parte foi um conjunto de informações básicas para sabermos o que encontraríamos no decorrer da leitura e as diversas categorias de guerreiros que fizeram parte da história japonesa, além de mencionar o que significa cada símbolo, brasão e bandeira carregados pelos samurais nos combates.
É um capítulo que nos prepara para situações para o decorrer da leitura, como o fato de usar expressões japonesas antigas para medidas e tipo de guerreiro. Nesse capítulo, por exemplo, ficamos sabendo da existência dos ashigaru e motô.
É também dedicado a registros de nomes de samurais famosos na história japonesa e são relatados seus principais feitos. É o capítulo mais longo devido a quantidade de nomes que existem que serve para saber se nikkeys no estrangeiro são descendentes de samurais ou não. É um capítulo bem profundo com mais de 200 nomes de samurais famosos.
Se tu fores um Nikkey e descobrir que tem um sobrenome nessa lista, pode ser que sejas descendente de um samurai com feitos heroicos na história do Japão.
Mostrou também a diferença de samurais para ronins. Ambos são guerreiros, mas os Samurais só eram chamados assim porque estavam alistados no exército japonês.
Segunda parte: armas e armaduras
A segunda seção do livro é dedicada as armas e armaduras dos combatentes.
É um capítulo bem completo e diria também bem complexo. Afinal, são mais de 50 páginas dedicadas aos tipos de armamentos, a história, o manuseio deles, os tipos de armaduras, como se coloca, muitas ilustrações ricas em detalhes e até mesmo os nomes e expressões em japonês.
É um capítulo rico em detalhes técnicos ótimos para quem gosta de pesquisar os tipos de armas e armaduras e como usar cada uma delas em cada ocasião.
Detalhes importantes como formatos de algumas peças são citadas e com curiosidades adicionais (por exemplo, sabiam que os “kabuto” (capacetes) tinham esse formato para serem usados como “panelas” em momentos de extrema necessidade?? Poizé…. até isso foi notado).
Apesar do lema “espada ser a alma do samurai”, deu ênfase também no uso de armas de fogo e impacto, como arcabuzes, mosquetes e canhões que, desde a época em que chegaram no país, foram usados em larga escala nos combates.
Terceira parte: táticas e estratégias
A terceira parte do livro é dedicada a táticas e estratégias de combate dos samurais.
Afinal, os samurais eram exímios combatentes tanto no individual como no coletivo. Os guerreiros se ajudavam em combate. Descrições de técnicas de combates e algumas estratégias de guerra foram contadas.
Foi um capítulo também com muitas ilustrações e fotos, principalmente de castelos e fortes.
Não foi um texto profundo, mas mostrou como os samurais agiam em campanha de guerra. Até mesmo a descrição do uso de ronins foi mostrada em alguns momentos.
Mais um capítulo que deu ênfase ao uso das armas de fogo pelos guerreiros em combate. Ou seja, o mito de que o Samurai só valorizava as armas brancas cai por terra nesse capítulo, ao mostrar que os guerreiros e seus senhores eram mais estratégicos em usar a arma de fogo do que as espadas.
Quarta parte: batalhas e cercos
A quarta parte é dedicada a principais batalhas e cercos realizados no Japão no decorrer dos séculos XII até o XVI.
O esquema aqui apresentado é parecido com a listagem dos nomes dos guerreiros no primeiro capítulo, onde uma batalha ou cerco é mencionado e descrito num breve resumo de como foi.
Claro que alguns tiveram mais destaques do que outras, mas não significa que os que tiveram uma descrição menor tenham sido menos importantes para a história japonesa.
A parte dedicada ao século XVI foi a mais longa da seção, devido aos principais personagens da história japonesa (Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu) terem seus feitos realizados nesse século.
Quinta parte: momentos dramáticos
A quinta parte é dedicada a relatos dos momentos mais dramáticos da história japonesa no decorrer dos séculos (desde o século XII até o XVI).
Foi o segundo capítulo mais curto do livro. Possui gravuras de extrema beleza.
Apesar de bons momentos da história japonesa que foram relatados, o capítulo deu um destaque maior na famosa Batalha de Sekigahara, que serviu para unificar o Japão e trazer uma suposta “paz” para os séculos posteriores.
Sexta parte: religiosidade e seppuku
A sexta e última parte é a mais curta e retrata algumas curiosidades adicionais sobre o jeito de ser dos guerreiros em alguns aspectos mais ritualísticos, principalmente envolvendo a religiosidade do guerreiro, a devoção ao seu senhor e também as diversas facetas do Seppuku (harakiri).
Não houve espaço para o que os samurais faziam nos momentos de “folga”. Muito pelo contrário. A única menção a isso de que o Samurai alistado fosse pego se divertindo, era obrigado a praticar o Seppuku.
Também foi um capítulo bem severo com relação ao estilo de vida do samurai alistado no exército e aos guerreiros.
Problemas editoriais
Apesar do livro ser rico, a JBC (editora que o lançou) cometeu uma falha grave com relação a essa edição.
MUITOS erros de digitação e concordância verbal (ler um “mim fazer lutar” me doeu os olhos). Faltou uma revisão ortográfica e gramatical mais acurada.
Se fosse uma ou outra vez, até relevaria. Mas eram erros constantes. E isso me incomodou em muitos momentos, fazendo com que o prazer da leitura diminuísse.
Se não fosse por esses erros, daria para tirar mais proveito.
Considerações finais
A Enciclopédia dos Samurais é isso. 382 páginas de boas informações.
Se não fossem os erros ortográficos e gramaticais, dava para tirar mais proveito. Mas é um livro rico de textos e com muitas ilustrações.
O leitor pode relevar os erros e se concentrar na informação que o livro nos passa. E se ler o mesmo escutando músicas temáticas, a imersão será maior.
Se você gosta de obras históricas que aprofundam o universo samurai além do que vemos em filmes e séries, convido você a conferir outras resenhas que escrevi no Toku Blog.
Rodrigo Pato é jornalista e fã de tokusatsu.



