Os Mitos Japoneses

Os Mitos Japoneses: guia completo sobre deuses e youkais

Toku Blog YouTube

Quem cresceu assistindo tokusatsu (como Jaspion e Changeman) ou jogando Samurai Spirits talvez não soubesse que muitos monstros, deuses e entidades dessas obras têm raízes profundas na mitologia japonesa. Os Mitos Japoneses – Um Guia Para Deuses, Heróis e Espíritos ajuda a entender exatamente de onde vêm essas figuras que atravessaram séculos até chegar ao entretenimento moderno.

Fascínio infantil e descoberta dos mitos japoneses

Desde quando era criança, fiquei fascinado por séries japonesas que criam monstros para as crianças. Quem assistiu Jaspion e Changeman vai entender o que significa. Em algumas produções, os heróis eram deidificados.

Mas a medida que fui crescendo, fui conhecendo outras formas da cultura japonesa. Por exemplo, as séries de games Samurai Spirits, The Last Blade e The King of Fighters apresentaram elementos dessas histórias fantásticas.

Mas quem eram os Quatro Deuses do Céu?? Quem era Amburojia?? Quem era Orochi?? Quem era Amaterasu?? Quem era Gwaten?? Bem… a medida que fui me afastando da cultura pop japonesa e focado na tradicional, fui descobrindo a identidade de cada um desses mitos. Mas, como identificá-los??

Bem…. esse é o propósito desse livro de texto de caráter didático e ilustrações antigas, tudo bem recolhido por Joshua Frydman. O resultado foi apresentado nesse compilado que merece atenção.

Um olhar ocidental sobre mitos orientais

O autor é estadunidense. Ele apresentou esse guia com base de mitos, ritos, deidades e outras criaturas da mitologia japonesa com a visão norte-americana.

Ainda apresentou brevemente personagens da mitologia hindu e chinesa que deram origem a alguns personagens japoneses, visto que o Budismo e o Confucionismo vieram da Ásia Continental e entrou num sincretismo com o Xintoísmo e fez com que os japoneses tivessem seus heróis.

O autor soube pesquisar cada detalhe e acrescentou outros. Muitas referências de registros mitológicos como o Kojiki e o Nihonshoki foram usados pelo autor para elaborar os textos. E as ilustrações deixaram o livro mais rico e agradável de se ler.

Religião, sincretismo e cultura pop

A ideia do livro é relatar as origens de mitos de deidades do Japão tendo como base, as principais religiões que predominam no território japonês desde tempos remotos (no caso, Xintoísmo e Budismo).

Já aviso que não é um livro que visa converter o leitor ao Xintoísmo ou Budismo. Longe disso. O autor não trabalhou com doutrinação das principais religiões japonesas.

Se engana quem acha que vai conhecer tudo do Xintoísmo e Budismo lendo esse livro, porque não vai. A ideia é simplesmente correlacionar as religiões japonesas com os mitos que povoam o imaginário da população.

O mais interessante é que o autor faz um paralelo com personagens e produtos da cultura pop contemporânea, fazendo o sincretismo entre o antigo e o moderno.

Loja-Toku-Blog

Para leitores mais jovens, há citações de animes, mangás e jogos clássicos, ajudando a perceber que muitos elementos não são criações isoladas modernas, mas heranças de tradições antigas.

Transformações simbólicas ao longo do tempo

A mudança de alguns elementos do passado para uma adaptação moderna também é relatada.

O Torii e o Maneki Neko são citados como exemplos de símbolos que tinham significados religiosos e hoje são amplamente usados como símbolos de boas-vindas ou prosperidade comercial.

Outro exemplo é o Yin-Yang, originalmente ligado a práticas oraculares de origem confucionista e que hoje aparece como símbolo gráfico em marcas e produtos.

A Cristandade é mencionada brevemente, destacando que sua influência não foi central na formação dos mitos japoneses tradicionais.

Xintoísmo Estatal e crítica histórica

O autor também declarou a ascensão, glória e queda do Xintoísmo Estatal, relacionando-o ao sentimento patriótico da Era Meiji.

Ele aborda o culto ao Imperador e a crença na descendência divina da família imperial, mas também impõe limites históricos a essa crença.

Por se tratar de um autor estadunidense, essa abordagem pode causar estranhamento a leitores mais nacionalistas. Ainda assim, ele equilibra a narrativa sem depreciar o Japão.

Observações sobre cultura pop

Meu único “porém” para o livro é a forma como ele tratou algumas expressões modernas, como kaiju e mechas.

Embora o foco não seja aprofundar no universo tokusatsu, mangás ou animes, a abordagem poderia ter sido um pouco mais equilibrada ao citar esses elementos.

Considerações finais

É um livro bom para quem quer conhecer um pouco do folclore japonês. Não é doutrinador e não é uma exaltação da cultura pop.

É um guia que ajuda a entender o imaginário japonês no cotidiano e a reconhecer como mitos antigos continuam vivos em narrativas modernas.

Se você gosta de entender as raízes mitológicas por trás de séries, mangás e produções japonesas, clique aqui para conferir outras resenhas que escrevi no Toku Blog.

quadrinhos de tokusatsu

Quer receber conteúdos de tokusatsu no seu e-mail?

Então, assine a nossa newsletter!

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.