Arigato – A Emocionante História da Imigração Japonesa no Brasil

Arigato: A Emocionante História da Imigração Japonesa no Brasil

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Muito antes de animes, mangás ou tokusatsu se tornarem populares no Brasil, a relação entre Japão e Brasil já era construída por imigrantes que enfrentaram dificuldades reais. Arigato: A Emocionante História da Imigração Japonesa no Brasil revisita esse percurso, contextualizando o centenário da imigração e mostrando como essa história moldou gerações de nikkeis e descendentes.

Centenário da imigração japonesa

Em 2008 comemoramos a chegada dos primeiros japoneses em terras brasileiras. Os governos dos dois países se mostraram dispostos a fazer do dia 18 de Junho de 2008 um grande evento. O casal de imperador Heisei veio ao Brasil e passou pelas maiores colônias do país (São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará). Muitos eventos se fizeram especiais nesses estados para celebrar esse centenário.

A JBC, a maior editora responsável por literatura japonesa no Brasil, trouxe uma coleção contando os melhores êxitos do Japão em terras brasilis. E uma dessas coleções é esse livro que li em 10 dias, escrito pelos jornalistas César Hirasaki e Jhony Arai, profissionais de destaque no cenário nikkey da JBC. O livro foi escrito nos dois idiomas para pegar todas as gerações de japoneses no Brasil e não-japoneses.

O resultado foi essa obra recheada de informações desde antes a chegada dos imigrantes até os dekasseguis. E ainda tivemos boas ilustrações que mostraram que não foi fácil os primeiros anos dos isseis no Brasil.

Antes do Kasato Maru

Os autores começaram a falar desde o processo da pré-imigração no Brasil Império ainda. Na época, deixaram salientado que o primeiro contato dos japoneses com o Brasil foi ainda na época do Império, quando náufragos resgatados por navios russos chegaram em Santa Catarina, mas não ficaram muito tempo.

Antes da chegada dos 781 imigrantes do Kasato Maru, os autores fizeram um paralelo de como foi a escravidão dos negros e também do trabalho dos imigrantes espanhóis, italianos e portugueses. Com a resistência desses imigrantes nas lavouras de café, Brasil e Japão fizeram um acordo para que o país asiático enviasse trabalhadores nipônicos para as nossas terras.

Dificuldades dos primeiros isseis

Os autores foram sinceros ao mostrar que os primeiros anos dos isseis não foram fáceis. Além do choque cultural, enfrentaram o clima tropical, doenças como malária e dificuldades com a fauna e flora local.

Ressaltaram que os primeiros japoneses “comeram o pão que o Diabo amassou”, frase usada diversas vezes no livro. Também destacaram abusos cometidos por capatazes e barões de café, além de rebeliões, fugas e mortes violentas.

Colônias além de São Paulo

Um ponto positivo foi não restringir a narrativa apenas a São Paulo. Há capítulos dedicados às colônias do Paraná (Londrina e Assaí), Mato Grosso do Sul e Pará, mostrando a importância desses estados na consolidação das comunidades nikkeis.

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A evolução das colônias ao longo das décadas reforça a ideia de união entre os imigrantes e seus descendentes.

Segunda Guerra e perseguição

Os autores não pouparam o relato do preconceito durante a Segunda Guerra Mundial. Acusados de serem “Espiões do Eixo”, muitos japoneses sofreram bloqueios econômicos e culturais no governo Vargas.

Após o anúncio da derrota do Japão, parte da comunidade se recusou a aceitá-la, culminando em conflitos internos e no surgimento de movimentos como a Shindo Renmei. Os autores criticam essas atitudes e mostram como isso prejudicou a integração social e econômica.

Contribuições nikkeis

O livro também exalta a influência social, econômica, educacional, industrial e política dos nikkeis no Brasil. Personalidades foram destacadas, embora o autor da resenha tenha sentido falta de maior ênfase em nomes da mídia cultural contemporânea.

Dekasseguis e novo fluxo migratório

A parte final é dedicada aos dekasseguis que, nos anos 80 e 90, migraram para o Japão em busca de melhores oportunidades durante a crise econômica brasileira.

Os autores abordam o choque cultural, as dificuldades iniciais e a estabilização gradual das relações. Também não poupam críticas a casos de vandalismo e criminalidade que afetaram a imagem dos brasileiros no Japão.

Herança cultural de Arigato – A Emocionante História da Imigração Japonesa no Brasil

O livro encerra com um capítulo sobre a herança cultural japonesa no Brasil, abordando desde práticas tradicionais como Ikebana e Ofuro até elementos modernos como mangás e animes.

Arigato é uma obra que documenta gratidão mútua entre as duas nações e reforça a importância histórica dessa relação.

Se você se interessa por imigração, identidade cultural e a relação entre Brasil e Japão, clique aqui para conferir outras resenhas que escrevi no Toku Blog.

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